Após duas prisões em 40 dias, delegado de MS é transferido para presídio federal de segurança máxima

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Hoffman D’Ávila é o primeiro delegado da Polícia Civil do Estado a ser custodiado no sistema penitenciário federal. Ele é investigado em duas operações que apuram suposto envolvimento de agentes públicos com o tráfico de drogas.

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), tornou-se o primeiro delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a ser transferido para o sistema penitenciário federal de segurança máxima. A transferência ocorreu após duas prisões em um intervalo de 40 dias, no contexto de investigações sobre o suposto envolvimento de agentes de segurança pública com organizações criminosas.

O presídio federal de Campo Grande integra o sistema de segurança máxima que também recebe presos considerados de alta periculosidade, entre eles lideranças de facções criminosas como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Fernandinho Beira-Mar, associado ao Comando Vermelho.

Hoffman estava preso desde 24 de setembro, quando foi alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Na ocasião, a investigação apurava um suposto esquema de desvio de cocaína apreendida pela própria Polícia Civil.

A segunda ordem de prisão foi cumprida em 4 de novembro, durante a Operação Ifrit, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal. Após a nova medida judicial, o delegado foi transferido para a unidade federal.

Duas operações e suspeitas de envolvimento com o tráfico

Na Operação Infiltrados, o Gaeco investiga um esquema que teria utilizado a estrutura da Polícia Civil para retirar drogas apreendidas de depósitos oficiais e devolvê-las ao mercado ilegal.

Segundo as investigações, Hoffman teria ocupado posição de comando no esquema, que envolveria outros policiais e pessoas responsáveis pela comercialização dos entorpecentes e movimentação dos recursos financeiros.

O Ministério Público apresentou denúncia contra 23 pessoas no caso, incluindo o delegado. As acusações envolvem crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Já a Operação Ifrit ampliou o alcance das investigações. A Polícia Federal apura uma organização criminosa transnacional, com atuação na fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai e ramificações em outros estados.

Segundo a investigação, o grupo seria responsável pelo tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro e outros crimes violentos, com possível participação de agentes das forças de segurança.

A PF aponta Hoffman como suspeito de atuar em favor da organização criminosa. Conforme os investigadores, ele teria obtido aproximadamente R$ 15 milhões com o desvio de cerca de duas toneladas de cocaína.

Essas informações integram as suspeitas investigadas pela Polícia Federal e ainda precisam ser submetidas ao devido processo legal.

Presídio federal impõe regras mais rígidas

O sistema penitenciário federal é destinado à custódia de presos considerados de alta periculosidade ou que representem riscos à segurança pública, à ordem interna dos estabelecimentos prisionais ou à condução de investigações.

O regime prevê cela individual, controle rigoroso de comunicação e visitas com separação física entre o preso e os familiares, por meio de vidro. O banho de sol pode ser limitado a duas horas diárias.

O contato com advogados também ocorre em espaços específicos, chamados parlatórios, com comunicação por interfone e monitoramento, conforme as regras da unidade.

A transferência para o sistema federal busca restringir a possibilidade de articulação de atividades criminosas a partir do ambiente prisional.

Defesa contesta transferência e acusações

A defesa de Hoffman, representada pelo advogado José Roberto da Rosa, contesta a transferência para o presídio federal e considera desnecessária a medida.

O advogado argumenta que o delegado já estava preso, afastado das funções e sem condições de interferir nas investigações. Também questiona a atribuição de R$ 15 milhões em supostos lucros com o desvio de drogas e afirma que o patrimônio do cliente é compatível com seus rendimentos.

A defesa sustenta que as acusações precisam ser analisadas à luz das provas e afirma que adotará as medidas jurídicas cabíveis.

Investigações seguem em andamento

No âmbito da Operação Infiltrados, o processo envolvendo os 23 denunciados segue para as etapas de defesa e análise judicial.

Na Operação Ifrit, a Polícia Federal ainda deverá concluir o inquérito e encaminhar o resultado ao Ministério Público Federal (MPF), responsável por avaliar as providências criminais cabíveis.

O caso representa um episódio de grande repercussão para a segurança pública de Mato Grosso do Sul, por envolver um ex-dirigente da principal unidade especializada no combate ao narcotráfico, agora investigado por suspeita de ligação com o próprio esquema criminoso que deveria combater.

Hoffman não foi condenado pelas acusações investigadas e tem assegurados o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

Fontes consultadas: Campo Grande News, Correio do Estado

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