feminicídio em Corumbá- Douglas alegou legítima defesa, mas laudo prova execução

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Adrielle Encarnação Rodrigues, de 26 anos, foi brutalmente assassinada a golpes de faca na residência onde estava, na região da parte alta de Corumbá. O principal suspeito do crime é o seu companheiro, Douglas Richard Ribeiro Valverde, de 49 anos, que foi preso em flagrante pela Polícia Militar ainda no local do fato. A interceptação ocorreu logo após o próprio agressor permanecer na residência e confessar o assassinato às equipes policiais, que isolaram a área para o início dos trabalhos periciais.

De acordo com as investigações preliminares conduzidas pela Polícia Civil, o casal mantinha um relacionamento instável, marcado por diversas idas e vindas. Na noite anterior ao crime, os dois haviam saído juntos para consumir bebidas alcoólicas na região do Porto Geral. Ao retornarem para a residência, já na manhã seguinte, uma severa discussão teve início, momento em que o homem se apossou de uma arma branca para desferir os ataques fatais.

Em seu depoimento formal ao delegado titular Fillipe Araújo Izidio Pereira, Douglas alegou ter agido em legítima defesa, sustentando que sofreu escoriações provocadas pela vítima durante a briga. No entanto, o laudo preliminar da perícia técnica contestou a versão do acusado. O exame constatou que a severidade e a localização dos quatro golpes de faca que atingiram o tórax da jovem não condizem com uma reação de defesa, confirmando as características de uma execução por feminicídio.

O assassinato de Adrielle foi o 18º caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul. O crime chocou a população por ter ocorrido em um intervalo de menos de 24 horas após outra mulher, Ana Carolina Goes, de 45 anos, também ser morta a facadas pelo ex-namorado no município de Água Clara. O agressor de Corumbá foi autuado em flagrante por feminicídio e transferido para a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), onde permanece detido à disposição do Poder Judiciário.

Box Informativo: O Retrato da Violência de Gênero em MS

Os indicadores oficiais de segurança pública e o Anuário Brasileiro de Segurança Pública acendem um alerta crítico sobre o agravamento da violência contra as mulheres em Mato Grosso do Sul.

  • Posição no Ranking Nacional: Mato Grosso do Sul ocupa a 4ª maior taxa de feminicídios do Brasil, registrando um cenário severo na contramão de estados que conseguiram reduzir a violência letal de gênero.
  • Estatísticas de Letalidade: No ano anterior, o estado encerrou o período com 39 feminicídios consumados, representando uma alta de 10,5% em comparação com os dados do ano antecedente. Em média, a taxa estadual atinge 2,6 mortes para cada 100 mil mulheres.
  • Perfil das Ocorrências: Mais de 80% dos casos ocorrem no ambiente doméstico, sendo praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. As estatísticas apontam a arma branca (facas) como o principal meio utilizado nos atentados.
  • Histórico Recente: O mês atual consolidou-se como o segundo julho mais sangrento da última década no estado. O assassinato de Adrielle Rodrigues em Corumbá marcou o 5º feminicídio registrado apenas no decorrer deste mês.
  • Desafio Institucional: Os relatórios das forças de segurança indicam um aumento substancial nos casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência, expondo a necessidade de reforço na fiscalização

Canais de Denúncia e Redes de Proteção

Se você ou alguém que você conhece está vivenciando uma situação de violência doméstica ou familiar, busque ajuda imediatamente:

  • Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): Canal nacional gratuito, anônimo e disponível 24 horas por dia para orientações, apoio psicológico e registro de denúncias.
  • Ligue 190 (Polícia Militar): Deve ser acionado de forma imediata em casos de emergência ou em situações de flagrante agressão.
  • Delegacias Especializadas: Mulheres podem buscar atendimento presencial na Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de seus municípios ou registrar boletins na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande

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