O casal Joel e Terezinha estava junto havia cerca de 30 anos. Na manhã em que o crime foi descoberto, os dois foram encontrados mortos dentro da residência onde moravam, em Campo Grande. Terezinha apresentava ferimentos provocados por arma branca e Joel foi encontrado morto logo em seguida, em um caso tratado pela Polícia Civil como feminicídio seguido de suicídio.
Os corpos foram localizados por um dos filhos do casal, que estranhou a falta de contato dos pais e decidiu ir até a casa. Ao entrar no imóvel, encontrou ambos caídos em meio a poças de sangue e acionou as autoridades.
Durante coletiva de imprensa, a delegada Larissa Franco, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), informou que as investigações apontam que o crime foi premeditado. Segundo ela, antes de matar a esposa, Joel enviou mensagens de áudio ao filho e a um amigo informando que pretendia se separar de Terezinha, o que, para a investigação, demonstra que ele já havia planejado a tragédia.
Apesar de não existirem registros de violência doméstica, boletins de ocorrência ou medidas protetivas envolvendo o casal ao longo dos 30 anos de relacionamento, pessoas próximas relataram à reportagem do Estado Diário que Joel mantinha um comportamento controlador em relação à esposa.
Os relatos reforçam um aspecto frequentemente observado em casos de violência contra a mulher: o controle excessivo e o isolamento da vítima podem ser formas de violência psicológica, mesmo quando não há registros formais de agressões físicas. A Polícia Civil segue reunindo elementos para concluir o inquérito.
Após o crime, a reportagem do Estado Diário conversou com vizinhos que conviviam diariamente com o casal. Eles relataram que, apesar de Joel e Terezinha serem vistos como um casal aparentemente tranquilo, o comportamento do suspeito chamava a atenção por ser considerado controlador.
Segundo os relatos, Joel exercia forte influência sobre a rotina da esposa. Uma vizinha afirmou que ele escolhia até mesmo a cor do cabelo de Terezinha, exigindo que ela mantivesse os fios “bem loiros”. Os moradores também disseram que ele nunca permitiu que a companheira trabalhasse, embora ela demonstrasse o desejo de ter uma atividade profissional.
Outra vizinha contou que Terezinha evitava cumprimentar os moradores quando o marido estava por perto. De acordo com ela, as interações aconteciam apenas quando Joel não estava presente, pois ele não gostava que a esposa mantivesse proximidade com a vizinhança.
“Era um casal aparentemente normal, mas ele era muito controlador”, resumiu uma das moradoras ouvidas pela reportagem.
Os relatos dos vizinhos surgem no mesmo contexto em que a Polícia Civil investiga a dinâmica do relacionamento. Conforme informou a delegada Larissa Franco, titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), o feminicídio teria sido premeditado. A investigação aponta que, antes do crime, Joel enviou um áudio ao filho e a um amigo comunicando que pretendia se separar da esposa, elemento que, segundo a autoridade policial, reforça a hipótese de planejamento da tragédia.
Embora o casal estivesse junto havia cerca de 30 anos e não houvesse registros anteriores de violência doméstica ou medidas protetivas, as investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do crime.