Rajadas acima de 80 km/h atingiram veículos, escolas, unidade de saúde e prédios históricos; mais de 300 mil imóveis ficaram sem energia elétrica
Uma tempestade de curta duração, mas de grande intensidade, deixou um rastro de destruição em Campo Grande entre o fim da tarde e a noite desta quinta-feira (10). A chuva veio acompanhada de granizo, milhares de descargas elétricas e rajadas de vento que chegaram a 83,8 km/h, segundo medições divulgadas após o temporal.
O balanço preliminar apresentado pela Prefeitura nesta sexta-feira (11) aponta mais de 100 ocorrências envolvendo quedas de árvores. Pelo menos 26 escolas municipais sofreram danos nos telhados, três unidades da assistência social foram afetadas e seis chamados partiram de áreas consideradas vulneráveis. Até a última atualização, não havia confirmação oficial de vítimas.

Árvores de grande porte caíram sobre carros, motocicletas, casas e vias públicas. Na Avenida Mato Grosso, um Hyundai HB20 foi atingido próximo à Rua Frederico Soares. Na Rua 13 de Maio, ao lado do Cemitério Santo Antônio, galhos e troncos atingiram motocicletas estacionadas. As avenidas Afonso Pena, Mato Grosso e Ernesto Geisel estiveram entre as vias afetadas.
Na Avenida Ernesto Geisel, o letreiro de um supermercado caiu sobre a pista e obrigou motoristas a realizarem desvios. Semáforos apagados, fios caídos e ruas bloqueadas agravaram os transtornos no trânsito.
UPA e prédios históricos foram atingidos
Na UPA do Bairro Universitário, parte do forro de PVC da recepção cedeu e vidros laterais foram quebrados pela força do vento. Os pacientes precisaram ser retirados da área afetada.
A Esplanada Ferroviária foi um dos pontos mais castigados. Parte da cobertura da Plataforma Cultural foi arrancada, enquanto tapumes metálicos da obra do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul foram lançados sobre a Avenida Calógeras. O cenário na região central ficou marcado por telhas, estruturas metálicas e galhos espalhados pelas ruas.
Também foram registrados corredores alagados no campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, queda de muros, destelhamento de imóveis e danos em fachadas comerciais. No Bairro São Bento, moradores relataram queda de granizo.
Mais de 300 mil imóveis ficaram sem energia
O temporal deixou mais de 300 mil unidades consumidoras sem energia elétrica em algum momento da noite. Bairros como Amambai, Guanandi, Jardim Veraneio, Vila Margarida e Centro ficaram no escuro. Até a manhã desta sexta-feira, a concessionária havia restabelecido aproximadamente 77% do fornecimento e ampliado o número de equipes nas ruas.
A falta de energia também afetou sistemas de abastecimento de água em nove bairros e obrigou o Bioparque Pantanal a suspender as visitas nesta sexta-feira.
Na educação, inicialmente 20 escolas e unidades de educação infantil tiveram as aulas interrompidas por falta de energia ou avarias estruturais. Posteriormente, diante da previsão de novas tempestades, a Prefeitura suspendeu as aulas do período vespertino em toda a Rede Municipal de Ensino, medida que alcançou cerca de 104 mil alunos.
Força-tarefa atua nas ruas
A Prefeitura mobilizou 15 equipes municipais para desobstruir vias, retirar árvores e avaliar estruturas danificadas. Com o apoio do Governo do Estado, o número de frentes de trabalho chegou a 20.
A força-tarefa reúne Defesa Civil, Agetran, Secretaria Municipal de Infraestrutura, Guarda Civil Metropolitana, Assistência Social, Corpo de Bombeiros, Energisa e Solurb. O município também avalia a necessidade de decretar situação de emergência, mas o levantamento completo dos prejuízos ainda não foi concluído.
Moradores devem comunicar quedas de árvores, alagamentos e danos estruturais pelos telefones 199 ou 156. Em caso de fios caídos ou árvores em contato com a rede elétrica, a orientação é não se aproximar e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Energisa.
As informações são de balanços da Prefeitura de Campo Grande, da Defesa Civil