A administração de Adriane Lopes sinaliza que não pretende facilitar a vida do contribuinte campo-grandense, indicando um provável veto ao projeto de lei que barra o abusivo aumento no IPTU e na taxa de lixo. O secretário de governo, Ulisses Rocha, justificou a postura defensiva da prefeitura alegando ser inviável refazer os cálculos, priorizando a manutenção da arrecadação em detrimento do impacto financeiro nas famílias da Capital. A declaração soa como uma confissão de paralisia administrativa, sob o pretexto de que o cumprimento da justiça tributária interromperia o fluxo de caixa municipal.
O distanciamento entre o Executivo e o Legislativo ficou evidente na derrota acachapante sofrida pela prefeita, que viu o projeto ser aprovado por unanimidade em sessão extraordinária. Vereadores criticaram duramente a falta de diálogo e a ausência de respostas efetivas da gestão municipal, que ignorou os apelos da Câmara antes da votação. O foco da revolta é o verdadeiro tarifaço embutido na taxa de coleta de resíduos, inflada por um decreto assinado em 2025 que alterou a classificação de imóveis sem qualquer transparência ou debate público.
Ao suspender os efeitos do polêmico decreto, a Câmara tenta resgatar os critérios de 2018, corrigindo distorções que afetaram milhares de cidadãos e geraram repúdio em setores comerciais e sindicais. No entanto, a prefeitura já cogita a judicialização do caso, demonstrando disposição para travar uma batalha jurídica em vez de admitir a falta de planejamento e a insegurança jurídica provocada por suas próprias decisões.
Caso o veto se confirme, a decisão retornará ao plenário, onde os parlamentares poderão derrubá-lo. Até lá, o campo-grandense segue refém de uma gestão que prefere o confronto à correção de reajustes considerados desproporcionais por toda a sociedade civil organizada. A falta de sensibilidade social da administração municipal levanta sérios questionamentos sobre as prioridades da atual gestão para o exercício de 2026.