O jogo de xadrez e o ninho vazio: as reviravoltas da política regional

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Quem olha para o cenário do Senado em Mato Grosso do Sul e acha que o jogo está ganho, certamente não se lembra de Soraya Thronicke ou Delcídio do Amaral surgindo como fênix das cinzas. Tem deputado jurando de pé junto que a eleição está mais aberta que porta de venda em dia de festa. A lógica petista é otimista: se o Lula levar, a maré sobe para todo mundo e os 400 mil votos cativos do PT podem magicamente se multiplicar. Resta saber se o eleitor vai querer dar esse segundo voto de presente. No palanque, a chapa está montada com Vander, Fábio Trad e Dona Gilda, mas o climão fica por conta de Simone Tebet. Ela quer Riedel, o PT quer o apoio dela, e se a ministra resolver olhar para o lado, a militância promete um combate digno de arena romana.

Do outro lado do espectro, o PL virou um verdadeiro laboratório de experiências arriscadas. Reinaldo Azambuja aceitou a filiação do Capitão Contar, mas o movimento deixou muita gente com a pulga atrás da orelha. Os aliados de Reinaldo estão tentando entender se isso é estratégia ou um tiro no pé, já que o preço de ter o Capitão no ninho pode ser altíssimo. A teoria da conspiração da vez é que o silêncio de Contar foi comprado em troca da legenda: ele ganha a vaga, mas fecha o bico no segundo voto. O problema é que o feitiço pode virar contra o feiticeiro, e o Capitão, com dinheiro e tempo de TV, pode acabar sendo o mais votado, para o desespero de nomes como Nelsinho Trad e Gerson Claro, que não estão nem um pouco satisfeitos com essa vizinhança.

Enquanto isso, na Câmara de Campo Grande, o projeto da isenção de ISSQN para o Consórcio Guaicurus naufragou por falta de quórum qualificado. Foram 15 votos a favor, mas a prefeitura precisava de 20 para segurar o aumento da tarifa. O curioso foi ver a base da prefeita Adriane Lopes se esquivando como quem vê assombração. Maicon Nogueira, do próprio partido da prefeita, preferiu manter o espírito da CPI dos Ônibus e não deu o braço a torcer. Teve até vereador justificando ausência com ida ao IML. Pelo visto, defender o consórcio de ônibus em ano pré-eleitoral é tarefa para quem tem nervos de aço ou muita coragem.

Para fechar o resumo com um toque de economia doméstica, a prefeita de Eldorado, Fabiana Lorenci, mostrou que é boa de desconto. Conseguiu baixar uma dívida com a Justiça Eleitoral de salgados 92 mil reais para módicos 30 mil reais. Quase um saldão de fim de ano no TRE. Enquanto uns economizam, outros perdem tudo: o PSDB está ficando tão vazio que logo vão precisar de um detector de metais para achar um tucano no ninho. Muitos já bateram as asas para o PL e os que ficaram estão brigando pelo comando de um espólio que, segundo as más línguas, é composto basicamente por moscas e lembranças de um passado glorioso.

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