Campo Grande pode acordar sem ônibus na próxima segunda-feira (15). Na calada da madrugada desta quinta-feira (11), a partir das 4h30, motoristas e cobradores do Consórcio Guaicurus se reúnem para votar a paralisação geral do transporte coletivo. O motivo é o mesmo de sempre: salários atrasados há cinco dias, mesmo com a empresa nadando em contratos que já ultrapassam R$ 4 bilhões desde a concessão. O Consórcio Guaicurus – formado pelas viações Cidade Morena, Campo Grande, São Francisco e Campo Grande – alega “falta de caixa”. Curioso: a mesma empresa que recebe repasses mensais milionários da Prefeitura, que já foi multada dezenas de vezes por descumprir horários e manter frota sucateada, agora diz que não tem dinheiro para honrar a folha de pagamento de quem efetivamente faz o sistema rodar. “É revoltante. A gente carrega essa cidade nas costas todos os dias, em ônibus quebrados, com ar-condicionado que não funciona e passageiro revoltado, e a empresa vem com essa conversa fiada de que não tem dinheiro”, desabafa um motorista que preferiu não se identificar, com medo de retaliação. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano (STTCU-CG), Demétrio Freitas, participou da reunião com a empresa na última segunda-feira (8) e saiu de lá sem nenhuma garantia concreta. Pior: a direção do consórcio sinalizou que o 13º salário, previsto para o dia 20, também podem atrasar. Enquanto isso, a população paga uma das tarifas mais caras do país (R$ 4,40 na passagem comum) e continua refém de um serviço que só piora. A Agência Municipal de Regulação (Agereg) assiste de camarote, aplica multas irrisórias e não consegue – ou não quer – obrigar o consórcio a cumprir o contrato. Se a greve for aprovada na assembleia da madrugada, a paralisação só começa na segunda-feira, respeitando o prazo legal de 72 horas de aviso prévio. Até lá, resta à prefeitura e à Agereg uma última chance de pressionar o consórcio a pagar o que deve. Caso contrário, Campo Grande vai parar – e a culpa, mais uma vez, não será dos motoristas que apenas querem receber em dia o que já suaram para ganhar.