O fogo amigo vai começar
Parece que o PT decidiu colocar lenha na fogueira — e, dessa vez, o alvo é duplo. O plano dos petistas é centrar fogo contra a prefeita Adriane Lopes (PP), com o objetivo de atingir, de tabela, o governador Eduardo Riedel, também do PP. O discurso já está pronto: boa parte das obras em Campo Grande só saíram do papel graças a recursos da União. Ou seja, o partido pretende mostrar que o mérito da gestão municipal é, na verdade, um “presente” de Brasília. A estratégia, claro, é desgastar Adriane, abalar o PP e, se possível, colocar Riedel na linha de tiro político. O jogo promete ser daqueles — com direito a dossiês, postagens afiadas e discursos milimetricamente ensaiados.
Conselho LGBT e a “vitória” de Tavares
O vereador Rafael Tavares (PL) comemorou nas redes sociais o adiamento da votação que criaria o Conselho LGBT em Campo Grande. “Barrei o projeto!”, escreveu, em tom de gol de final de campeonato. O detalhe é que quem pediu vistas foi a colega de partido, Ana Portela — e não ele. O projeto, de autoria de Jean Ferreira (PT), buscava criar um grupo de representação e fiscalização semelhante ao Conselho de Saúde. Mas Tavares não economizou na retórica: afirmou que o texto “segrega a sociedade entre heterossexuais e homossexuais”. Ao que parece, o vereador entende que a igualdade é tão grande que dispensa qualquer espaço de escuta.
Dedo em riste e pedido de cassação
E por falar em escuta… a Câmara Municipal de Campo Grande agora tem um novo capítulo digno de novela das nove. As ex-candidatas Vivi Tobias (PL) e Juliana Gaioso (PP) protocolaram um pedido de cassação contra a vereadora Luiza Ribeiro (PT), acusando-a de ter feito um gesto obsceno — o famoso “dedo médio” — durante uma manifestação de mães atípicas. As duas, vale lembrar, foram nomeadas na gestão Adriane Lopes e agora se dizem vítimas do suposto gesto. O caso deve ser analisado pelo presidente da Casa, que pode aplicar desde uma advertência até a cassação do mandato. No ritmo em que anda a política campo-grandense, só falta a Câmara criar um Conselho de Bons Modos.
Aposentadoria antes do apito final
No Diário Oficial da Justiça, a notícia da aposentadoria do desembargador Sideni Soncini Pimentel soou como um “game over” antecipado. Afastado do TJMS pela Operação Última Rátio, ele resolveu pendurar a toga aos 72 anos, três antes do tempo limite. A decisão veio após nova prorrogação de afastamento determinada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell. Sideni sai com aposentadoria integral e paridade — um prêmio que, convenhamos, poucos conseguem mesmo sob suspeita. No jogo do serviço público, quem sai antes ainda sai bem.
Energia cortada — e manipulada
Enquanto isso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acendeu a luz sobre um esquema de corrupção que manipulava leituras de energia em Campo Grande. Um leiturista terceirizado da concessionária embolsava até R$ 8 mil por mês em propinas para reduzir contas de luz. O “bônus” variava de R$ 50 a R$ 1.300 — em dinheiro, refeições ou até serviços. Foram 23 denunciados e 14 confessaram participação. Em tempos de tarifa alta, o crime parecia tentador — mas agora a conta chegou, com juros e correção judicial.
Emendas Pix e o sumiço de Vicentina
E falando em contas, as chamadas “emendas Pix” — aquelas transferências diretas de Brasília para estados e municípios — somam R$ 68,9 milhões em Mato Grosso do Sul este ano. Quem mais usou a modalidade foi o deputado Rodolfo Nogueira (PL) e o senador Nelsinho Trad (PSD). Só que nem tudo são flores: em Vicentina, o dinheiro público virou caso de polícia (ou melhor, de STF). Cinco veículos comprados com os recursos foram vendidos dois anos depois, sem qualquer informação sobre o paradeiro do dinheiro arrecadado. É o tipo de transparência que até o Pix do cidadão comum inveja — instantânea na entrada, invisível na saída.