Leilão está previsto para agosto de 2027; aporte federal depende da operação da ferrovia entre Corumbá e o interior paulista
O governo federal prevê um aporte de R$ 3,6 bilhões para recuperar a infraestrutura da Malha Oeste e viabilizar uma nova concessão da ferrovia. O projeto tem investimentos estimados em R$ 29,1 bilhões e contrato previsto para 57 anos. Segundo informações do Ministério dos Transportes divulgadas pelo Campo Grande News, o edital deverá ser publicado em abril de 2027, com leilão em agosto.
O apoio financeiro busca tornar o empreendimento mais atrativo aos investidores, mas terá condições. Conforme a modelagem aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os recursos federais serão destinados ao concessionário que modernizar e operar a ligação de Corumbá até Mairinque ou Bauru, em São Paulo.
Caso o interesse se limite ao trecho entre Corumbá e Três Lagoas, inteiramente em Mato Grosso do Sul, não haverá aporte da União. Os repasses previstos serão escalonados, com desembolsos de até R$ 500 milhões por ano.
Ligação estratégica para MS
Com aproximadamente 1.625 quilômetros entre Corumbá e Mairinque, a Malha Oeste forma um corredor para o escoamento de cargas do Centro-Oeste e a integração com países vizinhos.
Segundo a ANTT, o projeto prevê conexão com o Porto de Santos e possibilidade de integração futura aos portos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, mediante investimento adicional. O ramal de Ponta Porã poderá ser incorporado à concessão por conta e risco da empresa vencedora.
Financiamento e garantias
Além do aporte orçamentário, os interessados poderão buscar financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Conforme o Campo Grande News, a linha destinada ao setor ferroviário oferece prazo de até 40 anos, com aprovação sujeita à análise de cada projeto.
Também está prevista a utilização do Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável (FDIRS) como mecanismo de garantia dos recursos públicos, para reduzir riscos e dar previsibilidade aos pagamentos previstos no contrato.
Cronograma depende de análise do TCU
As datas anunciadas ainda são previsões. Segundo reportagem de A Crítica, o projeto está em análise no Tribunal de Contas da União (TCU), etapa necessária antes do lançamento do edital.
A nova concessão sucede o contrato encerrado em 30 de junho de 2026. Durante a transição, foi firmado um acordo de 180 dias com a Rumo. O anúncio do aporte e do calendário, portanto, integra a preparação da licitação e ainda não representa o início das obras ou a retomada da operação ferroviária.