O transporte coletivo de Campo Grande vive um momento de transição jurídica e incertezas operacionais. A prefeita Adriane Lopes (PP) confirmou que as empresas que compõem o Consórcio Guaicurus foram vendidas para o grupo goiano HP Mobilidade. No entanto, a chefe do Executivo municipal garantiu que a compradora não assumirá as operações de imediato. O serviço seguirá sob o controle da junta interventora do município pelos próximos meses.
O anúncio oficial ocorreu após uma reunião da administração municipal, onde a venda das cotas societárias foi apresentada. Apesar de ver o negócio “com bons olhos”, a prefeita enfatizou que o poder concedente exige a aprovação jurídica do contrato e contrapartidas severas para dar o aval definitivo à transição de propriedade.
Exigências e manutenção da intervenção
De acordo com as diretrizes da Prefeitura de Campo Grande, a entrada da empresa goiana só será ratificada após a entrega de um cronograma claro de investimentos. O município estabeleceu três exigências fundamentais para aceitar a mudança:
- Renovação imediata da frota com veículos novos equipados com ar-condicionado.
- Reforma integral de todos os terminais de transbordo da capital.
- Garantia de regularidade e pontualidade no atendimento diário aos passageiros.
“Não adianta a empresa trocar de dono, mas não fornecer um serviço de qualidade”, alertou a prefeita Adriane Lopes em coletiva de imprensa.
A intervenção administrativa decretada em 16 de junho continuará ativa pelo prazo previsto de até 180 dias. A equipe municipal de interventores mantém a responsabilidade de auditar as contas e o fluxo operacional do transporte público. Relatórios preliminares já apontaram que o consórcio acumulava um rombo financeiro superior a R$ 20 milhões com bancos e fornecedores, além de operar com 190 ônibus com tempo de uso acima do limite contratual.
Sem mudanças imediatas para o usuário
Para a população que utiliza o transporte público diariamente, nada muda na rotina a curto prazo. O valor da tarifa, as rotas vigentes, as frotas em circulação e os horários das linhas permanecem inalterados.
Caso a HP Mobilidade cumpra todas as exigências e receba o aval final da prefeitura, a empresa goiana deverá assumir a responsabilidade de cumprir o restante do contrato de concessão original, que tem vigência estabelecida até o ano de 2032.