Senadora havia rejeitado proposta na CCJ e questionado impactos econômicos e ritmo da tramitação; Estado Diário pediu esclarecimentos sobre a mudança
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) votou a favor da proposta que encerra a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14). O posicionamento representa uma mudança em relação ao voto contrário registrado por ela na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os outros dois representantes de Mato Grosso do Sul, Nelsinho Trad e Soraya Thronicke, também apoiaram a proposta no plenário.
Antes da votação, Tereza defendia alterações no texto e mais tempo para discutir os efeitos da medida sobre diferentes atividades econômicas. Em declaração a jornalistas em 7 de outubro, afirmou que a discussão sobre a redução da jornada estava praticamente pacificada, mas manifestou preocupação com a organização das escalas em setores com necessidades distintas.
Na ocasião, a senadora reconheceu ter votado contra na CCJ, embora tenha afirmado não ser contrária à matéria em si. Também criticou a possibilidade de acelerar a votação por interesse eleitoral e declarou que sua preocupação estava nos efeitos da mudança para o país.
Mudança em meio à disputa eleitoral
A possibilidade de revisão do voto já havia sido noticiada pela Folha de S.Paulo em 13 de outubro. Segundo a publicação, Tereza avaliava apoiar a proposta no plenário, mesmo mantendo a possibilidade de apresentar emendas.
A movimentação ocorreu em um cenário de mudança de posição da oposição, após o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciar apoio ao fim da escala 6×1. Conforme a Folha, a adesão do presidenciável praticamente encerrou as articulações para barrar a proposta, em meio à pressão nas redes sociais e à proximidade do segundo turno.
O ponto a esclarecer é o que levou Tereza a apoiar a proposta depois das ressalvas apresentadas: se houve mudança em sua avaliação dos impactos econômicos, entendimento político ou outro fator determinante.
O Estado Diário encaminhou questionamento à senadora sobre as razões da mudança de posicionamento. A resposta será incorporada à reportagem assim que recebida.