Bebê sequestrada em Campo Grande é salva no Paraguai e casal com histórico de homicídio cai nas mãos da Polícia Federal
CAMPO GRANDE – Em uma operação internacional de alta complexidade, a bebê Ayla Emanuelly, de apenas 28 dias, foi resgatada com vida na madrugada de domingo (9) em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Os sequestradores – um casal de brasileiros – foram presos em flagrante, expulsos do país vizinho e entregues à Polícia Federal em Ponta Porã. O caso acionou, de forma inédita em Mato Grosso do Sul, o sistema nacional de rapto Amber Alert Brasil.
A Emboscada e o Rapto premeditado
O crime foi minuciosamente planejado. A suspeita, Suzilaine da Graça Costa, infiltrou-se em grupos virtuais de gestantes e desapego de roupas infantis para monitorar e escolher a vítima. Criando um falso vínculo de confiança, ela prometeu enxovais, doações e até um ensaio fotográfico para a mãe da bebê, uma adolescente de 17 anos.
Na quinta-feira (6), a mãe e sua irmã de 13 anos foram atraídas até uma residência no Jardim Monumento, em Campo Grande, sob a promessa de receber R$ 100 ou uma vaga de trabalho. No local, a mãe foi ameaçada e forçada a entregar a recém-nascida. As duas adolescentes foram abandonadas de madrugada na região do Jardim Colibri.
Passado Criminoso e Caçada Internacional
Após o roubo da criança, o casal fugiu em direção à fronteira a bordo de um veículo Lifan azul. O companheiro de Suzilaine, identificado inicialmente como Alex, utilizava documentos falsos em nome de Weliton Aparecido Lopes dos Santos. A polícia descobriu que ele é um foragido da Justiça com condenação por homicídio no Amazonas, onde matou uma adolescente atropelada.
A caçada terminou por volta de 1h15 da madrugada de domingo. Através do rastreamento de sinais telefônicos, forças de segurança do Brasil e a Polícia Nacional do Paraguai localizaram o cativeiro em uma casa alugada no bairro Virgen de Caacupé.
As Quatro Linhas de Investigação da DEPCA
A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) trabalha com frentes complexas para desvendar a real motivação do crime:
- 1. Moeda de Troca do Tráfico: A principal tese apura se a bebê foi sequestrada para quitar uma dívida de drogas do pai biológico da criança, que teria ligações com uma facção criminosa. Suzilaine teria dito no cativeiro que reteria a recém-nascida por esse motivo.
- 2. Tráfico Internacional de Crianças: A polícia investiga se o destino final da bebê seria a venda para redes clandestinas de adoção ilegal no exterior. Celulares e documentos falsos foram apreendidos para rastrear contatos internacionais.
- 3. Rede de Apoio Local: A mãe relatou ter visto cerca de 10 homens no primeiro imóvel que serviu de cativeiro em Campo Grande. Um homem, dono de uma casa no bairro Universitário, já foi preso preventivamente por ceder o espaço para a logística da fuga.
- 4. Nível de Premeditação: A quebra de sigilo dos eletrônicos vai mapear há quantos meses a suspeita monitorava grávidas na internet e se agia sob encomenda.
- Situação Atual da Bebê
- Ayla Emanuelly foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, passou por exames médicos e está bem de saúde. Como estava sem documentos civis no momento do resgate, ela foi acolhida provisoriamente pelo Conselho Tutelar de Ponta Porã. A DEPCA e a rede de assistência social coordenam agora o processo seguro para o reencontro definitivo com a mãe em Campo Grande.
- A operação integrada envolveu a DEPCA, o Garras, a Polícia Civil de MS e o Grupo Antissequestro (DAS) do Paraguai.
O Rastreamento Crucial: O trabalho de inteligência da Polícia Civil de MS descobriu a exata localização do cativeiro no Paraguai por meio do rastreamento de sinais telefônicos. Os investigadores conseguiram traçar em tempo real a rota do carro Lifan azul usado pelo casal, desde a saída de Campo Grande até a entrada no território paraguaio.
Devassa Digital: Todos os aparelhos eletrônicos apreendidos no país vizinho estão passando por perícia técnica. O objetivo é quebrar o sigilo de mensagens para descobrir se o casal conversava com compradores (tráfico humano), com comparsas de facções ou com intermediários internacionais de adoção ilegal.