A Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul decidiu cancelar os votos recebidos por Tio Trutis e pela esposa dele, Raquelle Trutis, nas eleições de 2022. A medida deve provocar mudanças na Assembleia Legislativa e pode custar o mandato do deputado estadual Neno Razuk.
A nova contagem dos votos será feita nesta quinta-feira (21) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS). Com isso, a vaga atualmente ocupada por Neno deve ficar com o PSDB, beneficiando o suplente João César Mattogrosso, hoje diretor-executivo do Detran-MS.
Se realmente deixar o cargo, Neno perde a imunidade parlamentar e passa a correr risco de prisão ou até de uso de tornozeleira eletrônica. Isso porque ele foi condenado, no fim do ano passado, a 15 anos e sete meses de prisão por envolvimento com organização criminosa e jogo do bicho. Mesmo condenado, ele ainda pode disputar eleições, já que o processo segue em primeira instância.
Tio Trutis, que ganhou fama política na onda bolsonarista de 2018, acabou no centro de várias polêmicas ao longo da carreira, incluindo o caso do suposto atentado a tiros contra ele mesmo. Agora, ele e a esposa foram condenados por irregularidades no uso de dinheiro do fundo partidário durante a campanha eleitoral de 2022.
De acordo com a investigação, o casal recebeu mais de R$ 2 milhões para a campanha, mas parte desse valor teria sido desviada por meio de contratos considerados falsos pela Justiça Eleitoral.
As apurações mostraram repasses de R$ 336 mil para a empresa JC Hipólito Taques Comunicação e outros R$ 440 mil para Cid Nogueira Fidelis. No entanto, segundo a investigação, as empresas não tinham estrutura para prestar os serviços informados, sem sede física e sem funcionários registrados.
Por causa dessas irregularidades, a Justiça determinou a anulação dos votos recebidos pelos dois candidatos do PL, o que obrigará o TRE a refazer os cálculos das vagas conquistadas pelos partidos na eleição.
Na disputa de 2022, o PL havia eleito Coronel David, João Henrique Catan e Neno Razuk para a Assembleia Legislativa. Depois, a bancada cresceu com a chegada de outros parlamentares, como Zé Teixeira, Mara Caseiro, Paulo Corrêa, Lucas de Lima e Márcio Fernandes. Já Catan deixou o partido e se filiou ao Novo, de olho em uma candidatura ao Governo do Estado.