Receita torna inaptos 28 postos de combustíveis em MS durante operação contra fraudes

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Estabelecimentos não poderão operar regularmente; nomes e cidades dos alvos não foram divulgados porque investigação tramita sob sigilo

A Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) declararam inaptos 28 postos de combustíveis em Mato Grosso do Sul durante a Operação Bomba Oculta, deflagrada nesta sexta-feira (28). A ofensiva busca interromper as atividades de estabelecimentos suspeitos de integrar esquemas de fraude fiscal, sonegação e lavagem de dinheiro.

O número de estabelecimentos atingidos em Mato Grosso do Sul foi divulgado pelo jornal Correio do Estado. A Receita Federal não informou os nomes nem as cidades onde os postos estão localizados, sob a justificativa de que o processo tramita em sigilo.

Embora os estabelecimentos tenham sido considerados inaptos e impedidos de atuar regularmente, não houve lacração física de postos em Mato Grosso do Sul. As interdições em campo ocorreram no estado de São Paulo.

A declaração de inaptidão do CNPJ impede a emissão de documentos fiscais eletrônicos, bloqueia alterações cadastrais e pode provocar restrições nas contas bancárias vinculadas às empresas. Na prática, a medida inviabiliza a continuidade regular das operações comerciais.

Operação atinge 1.283 empresas no País

Em todo o Brasil, a Operação Bomba Oculta prevê tornar inaptos 1.283 CNPJs e 228 inscrições estaduais. Cinco postos localizados em São Paulo foram completamente lacrados pelas equipes de fiscalização.

A operação reúne Receita Federal, ANP, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil.

De acordo com a Receita Federal, as medidas buscam interromper a atuação de postos que continuavam comprando e vendendo combustíveis mesmo depois de perderem a autorização da ANP.

Desde 2019, a agência reguladora revogou a autorização de mais de 10 mil postos no País. As investigações, porém, apontaram que parte dessas empresas continuou funcionando clandestinamente, utilizando CNPJs ainda ativos para adquirir e comercializar combustíveis.

Combate à lavagem de dinheiro

A Operação Bomba Oculta é um desdobramento da Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025 para investigar a infiltração do crime organizado na cadeia nacional de combustíveis.

Segundo as autoridades, o esquema atingia diferentes etapas do setor, desde a importação e produção até a distribuição e revenda. Postos de combustíveis teriam sido utilizados para inserir no sistema financeiro valores de origem ilegal.

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a suspensão dos cadastros busca asfixiar financeiramente as organizações investigadas. Os estabelecimentos seriam utilizados como porta de entrada para “esquentar” recursos ilícitos por meio da venda de combustíveis.

A Carbono Oculto também identificou suspeitas de ligação de integrantes do esquema com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A primeira fase mobilizou aproximadamente 1,4 mil agentes e atingiu mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados.

Além de Mato Grosso do Sul e São Paulo, a operação alcançou empresas e investigados em Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Iguatemi entrou na rota das investigações

Mato Grosso do Sul já havia aparecido nas fases anteriores da investigação. Em 2025, as autoridades cumpriram mandados contra empresas localizadas em Dourados e Iguatemi.

Uma estrutura instalada às margens da MS-290, em Iguatemi, foi apontada como endereço de diversas empresas do setor. O local, que abrigou uma pequena destilaria de etanol, teria sido utilizado como base para companhias investigadas por irregularidades fiscais.

A instalação foi interditada pela ANP em outubro de 2025. Conforme as investigações, no endereço funcionavam mais de 20 empresas, sendo que mais da metade estaria relacionada ao esquema apurado.

Entre as companhias citadas estava a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., que acumularia uma dívida de R$ 2,93 bilhões com o Fisco federal, considerada a maior desse tipo em Mato Grosso do Sul.

Fiscalização distinta apreendeu diesel em MS

Em uma ação separada da Operação Bomba Oculta, a ANP fiscalizou, entre os dias 24 e 28 de agosto, 15 postos, seis revendas de gás de cozinha e um ponto de abastecimento em Mato Grosso do Sul.

As inspeções ocorreram em Campo Grande, Dourados, Santa Rita do Pardo, Maracaju, Ribas do Rio Pardo e Glória de Dourados. Foram lavrados cinco autos de infração e um de interdição, além da apreensão de 6.915 litros de óleo diesel.

A ANP esclareceu que essa fiscalização teve como foco, entre outros pontos, possíveis práticas abusivas de preços e não integra diretamente a Operação Bomba Oculta. Os nomes dos 28 postos declarados inaptos na ação nacional permanecem sob sigilo.

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