Quem responde pelas vidas das crianças? Suspensão na Santa Casa exige solução urgente

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Sem prazo divulgado para retomada, encaminhamento de crianças e alternativas para manter o serviço estão em discussão entre hospital e gestores da saúde

A suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas eletivas na Santa Casa de Campo Grande segue sem prazo divulgado para terminar. Nesta quinta-feira (8), reportagem do Jornal Midiamax informou que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanha as medidas adotadas para atender os pacientes e reduzir a demanda na especialidade de cardiologia.

Segundo o órgão informou ao veículo, a 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública instaurou um inquérito civil neste ano para investigar essas providências. A informação foi divulgada após relatos sobre o encaminhamento de crianças com cardiopatias para atendimento fora de Mato Grosso do Sul.

Falta de especialistas mantém suspensão

Em nota oficial publicada em 10 de setembro, a Santa Casa informou que comunicou à Secretaria Municipal de Saúde, em 3 de setembro, a suspensão temporária das cirurgias cardíacas pediátricas congênitas eletivas.

O hospital explicou que um dos dois cirurgiões estava afastado por um problema grave de saúde e que a outra profissional havia solicitado rescisão contratual. A instituição destacou a dificuldade de recompor uma equipe de uma especialidade com poucos profissionais disponíveis. Na ocasião, afirmou que a assistência pediátrica permanecia ativa.

A administração declarou que o setor não foi oficialmente encerrado e que continua buscando especialistas para retomar os procedimentos. Não foi apresentado prazo para a normalização.

Informações divergem sobre transferências

As reportagens publicadas nesta semana apresentam versões diferentes sobre as crianças que já estavam internadas.

De acordo com informações apuradas, pacientes foram transferidos para hospitais de São Paulo e do Paraná, porém a diretoria clínica da Santa Casa não confirma essa informação e afirma que as crianças anteriormente internadas permaneciam na Santa Casa, enquanto novos casos eram encaminhados pela regulação do SUS para outras unidades.

Diante dessa divergência, o número atualizado de crianças transferidas e das que continuam aguardando cirurgia no hospital ainda precisa ser esclarecido.

Gestores discutem continuidade do serviço

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que participa das discussões para manter a oferta das cirurgias pelo SUS, condicionada à existência da estrutura hospitalar necessária.

O Ministério da Saúde informou que não havia recebido solicitação de desabilitação da unidade nem comunicação formal sobre eventual interrupção do serviço. A pasta destacou que a organização dos atendimentos cabe aos gestores locais. A Secretaria Estadual de Saúde não havia respondido à reportagem até sua publicação.

Enquanto as tratativas continuam, permanece sem resposta pública uma questão central para as famílias: quando as crianças poderão voltar a realizar essas cirurgias na Santa Casa.

Nota desta jornalista: lamentável que a Santa Casa de Campo Grande permaneça sem prazo divulgado para retomar as cirurgias cardíacas pediátricas. A situação exige respostas claras e providências concretas: crianças que precisam de atendimento especializado e suas famílias não podem ficar à espera de uma solução indefinida.

As informações divergentes sobre as transferências e a ausência de esclarecimentos públicos suficientes agravam a insegurança. Hospital e gestores da saúde precisam informar quantos pacientes aguardam cirurgia, onde serão atendidos, qual apoio será oferecido às famílias e quais medidas permitirão restabelecer o serviço. Diante da gravidade do caso, transparência e acesso ao tratamento são obrigações que não podem ser adiadas.

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