Preso por latrocínio assume disparos e diz que irmão morto pelo Choque não participou do crime

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Miguel foi capturado em São Paulo após a morte de Gian Marcelo; declaração diverge da suspeita que levou policiais até Bruno Rafael, de 18 anos

A prisão de dois suspeitos em São Paulo trouxe uma nova versão à investigação do latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, ocorrido na sexta-feira (16), no Parque do Lageado, em Campo Grande. Em depoimento, Miguel Sousa da Silva admitiu ter atirado contra a vítima e afirmou que o irmão, Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, não participou do assalto.

Bruno morreu após ser baleado por policiais do Batalhão de Choque na madrugada de segunda-feira (19), no Portal Caiobá. Ele era apontado como suspeito de envolvimento no crime. A declaração de Miguel contraria essa suspeita, mas não representa uma conclusão da investigação sobre a participação do jovem. Os presos apresentaram versões divergentes sobre o planejamento e a execução do roubo.

Versões sobre a abordagem

Segundo a Polícia Militar, Bruno foi localizado durante as diligências para encontrar os envolvidos no latrocínio. A corporação afirma que ele apontou um revólver na direção da equipe, que reagiu com um disparo.

O jovem foi socorrido e encaminhado ao Centro Regional de Saúde do Coophavila, mas não resistiu. O Batalhão de Choque instaurou um inquérito policial militar para apurar a ocorrência.

Familiares contestam a versão policial. Segundo os relatos reunidos para esta reportagem, eles afirmam que Bruno trabalhava com serviços de limpeza, não possuía arma e não tinha ligação com o roubo.

A suspeita de participação no latrocínio e as circunstâncias do disparo policial são questões distintas, que precisam ser esclarecidas. O depoimento de Miguel, por si só, não determina como ocorreu a abordagem.

Capturados dentro de ônibus

Miguel e Matheus Pereira da Silva Lima foram presos na tarde de segunda-feira (19), em Itu, no interior paulista. Eles viajavam em um ônibus com destino a Campinas.

A abordagem foi realizada pelo Tático Ostensivo Rodoviário após o compartilhamento de informações entre as polícias de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Nada de ilícito foi encontrado com os suspeitos ou nas bagagens, segundo a polícia paulista.

Um terceiro investigado, Yuri Silva Santos Modesto, havia sido preso em Corumbá. Segundo a investigação, ele admitiu dirigir o veículo usado no assalto.

Relatos divergem sobre o crime

Embora a informação inicial da captura apontasse confissão dos dois presos em São Paulo, os depoimentos posteriores trouxeram divergências. Miguel admitiu os disparos e atribuiu a articulação a Yuri. Matheus negou participação.

Miguel também alegou que Gian teria atirado contra os assaltantes. Essa é a versão apresentada pelo investigado e ainda depende de confronto com as demais provas. A afirmação de que Bruno não participou do crime foi atribuída a Miguel, irmão do jovem.

Gian foi atingido nas costas quando chegava à residência, onde familiares haviam sido rendidos. Ele foi levado à Santa Casa, mas morreu horas depois. Durante as diligências, policiais localizaram mercadorias e armamento em um imóvel no Jardim Tijuca. A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos (Defurv).

Armas, mercadorias e nova prisão ampliam investigação do latrocínio de Gian Marcelo

Segundo informações levantadas pelo Estado Diário, jovem de 21 anos é apontado como responsável por fornecer duas armas usadas no assalto

A investigação do latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, ocorrido na sexta-feira (16), no Parque do Lageado, em Campo Grande, ganhou novos desdobramentos com a identificação de um suspeito de fornecer armas aos assaltantes. As diligências também levaram à apreensão de armamento, equipamentos balísticos e mercadorias em um imóvel no Jardim Tijuca.

Segundo informações levantadas pelo Estado Diário, um jovem de 21 anos foi capturado na segunda-feira (19), no bairro Dom Antônio Barbosa. Ele estava acompanhado de outro rapaz, de 20 anos. Conforme a investigação policial, o suspeito de 21 anos teria emprestado duas armas utilizadas na invasão à residência de Gian.

A polícia também aponta o jovem como suspeito de executar Lucas Henrique Santos Vieira, conhecido como “Gato Preto”, em 8 de outubro, em um espaço de festas no Jardim Tarumã. Outra pessoa foi baleada no mesmo ataque e sobreviveu.

Armamento em depósito

No imóvel do Jardim Tijuca, indicado durante as diligências, foram encontrados pneus, eletrônicos e cigarros, além de coletes e placas balísticas, kits Roni — acessórios utilizados para adaptar pistolas — e uma espingarda calibre 12.

A presença dos produtos no mesmo endereço não esclarece, por si só, a origem de todo o material. Segundo as informações levantadas pelo Estado Diário, a apuração busca determinar quais mercadorias foram retiradas da casa de Gian e se parte do estoque tem ligação com outras atividades de comércio ilegal.

Outra frente envolve a procedência das armas e dos adaptadores encontrados no local, além da identificação de possíveis fornecedores.

Presos apresentam versões divergentes

Yuri Silva Santos Modesto foi preso em Corumbá. Miguel Sousa da Silva e Matheus Pereira da Silva Lima foram capturados em um ônibus em Itu, no interior de São Paulo, na segunda-feira (19).

Em depoimento, Miguel admitiu ter efetuado os disparos contra Gian e afirmou que o irmão, Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, não participou do assalto. Matheus negou envolvimento. Os relatos divergem sobre a organização e a execução do crime.

Bruno morreu após ser baleado por uma equipe do Batalhão de Choque, no Portal Caiobá, durante as buscas pelos suspeitos. A Polícia Militar afirma que ele apontou uma arma contra os agentes. Familiares contestam essa versão e negam a participação do jovem no latrocínio.

A declaração de Miguel não encerra a apuração sobre o eventual envolvimento de Bruno. As circunstâncias da morte durante a abordagem também são objeto de investigação.

Pedido de prisão preventiva

O delegado responsável solicitou à Justiça a conversão das prisões em flagrante em preventivas. O pedido depende de decisão judicial.

A investigação reúne suspeitas de latrocínio e roubo com agravantes relacionados à atuação em grupo, ao emprego de arma de fogo e à restrição da liberdade das vítimas. A responsabilidade de cada investigado deverá ser individualizada.

O caso segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Repressão aos Roubos e Furtos de Veículos (Defurv).

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