Ponte avança, mas entraves na fronteira podem deixar Rota Bioceânica para 2028

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Estrutura aduaneira, acessos rodoviários e integração dos controles entre países ainda condicionam o funcionamento comercial do corredor

A conclusão da ponte sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, não será suficiente para colocar a Rota Bioceânica em operação comercial. A previsão apresentada por um representante da Receita Federal aponta para 2028, diante das pendências na infraestrutura de fiscalização e nos procedimentos necessários ao transporte internacional de cargas.

A estimativa foi divulgada pelo Campo Grande News em 29 de setembro, com informações do superintendente substituto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, Erivelto Alencar. Trata-se de uma projeção para o funcionamento comercial do corredor, sem uma data definitiva de abertura confirmada.

Na ocasião, o Centro Integrado de Controle de Fronteira ainda não havia começado a ser construído. Segundo resposta do DNIT à reportagem, o projeto passava por adaptações para incorporar as necessidades dos órgãos de fiscalização e das instituições paraguaias.

O modelo previsto reúne autoridades dos dois países no lado brasileiro. O pacote contratado pelo DNIT, que inclui o centro aduaneiro e os acessos à ponte, soma R$ 472,4 milhões.

O Governo de Mato Grosso do Sul já havia destacado essas etapas em publicação da Semadesc de 13 de abril. Naquele momento, o cronograma informado previa a conclusão dos acessos brasileiros e do contorno rodoviário de Porto Murtinho em julho de 2027. O projeto do centro aduaneiro também estava em análise. Esses prazos precisam ser considerados conforme a data em que foram divulgados.

O corredor conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e pretende ampliar o acesso aos portos do Pacífico. Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é abrir alternativas ao escoamento da produção e estimular atividades de logística, agroindústria e turismo. A concretização desses benefícios depende da capacidade de transportar mercadorias com regularidade entre as fronteiras.

Além das obras, permanece o desafio de integrar os sistemas aduaneiros dos quatro países. Conforme Alencar, a liberação de uma carga na fronteira brasileira não assegura uma viagem sem retenções nos demais postos de controle.

O cenário exige acompanhamento de cronogramas distintos: conclusão da ponte, entrega dos acessos, implantação da fiscalização e organização dos procedimentos internacionais. Para produtores e transportadores, a data decisiva será aquela em que esse conjunto permitir a circulação comercial de cargas pelo corredor.

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