Polícia Federal aponta que servidores confessaram áudios com ameaças a indígenas, mas rechaçaram planos de ataque em MS

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Dois servidores públicos da Prefeitura de Tacuru, município localizado na região de fronteira em Mato Grosso do Sul, admitiram à Polícia Federal que são os autores das gravações com ameaças de ataques e contaminação de água direcionadas à comunidade indígena da Aldeia Sassoró. Apesar da confissão, os investigados negaram qualquer intenção real de executar as ações violentas divulgadas.

As apurações foram deflagradas para investigar uma série de ameaças e agressões contra populações originárias registradas logo após o segundo turno das eleições presidenciais. Em depoimento, os funcionários públicos justificaram o teor das mensagens sob o argumento de que as falas ocorreram em um momento de exaltação decorrente do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e sob a forte tensão política do período pós-eleitoral.

Nos áudios que circularam em redes sociais e geraram pânico generalizado na reserva dos Guarani Kaiowá, os autores defendiam ações violentas e um dos trechos mencionava explicitamente a possibilidade de colocar veneno na água consumida pela comunidade. Um dos suspeitos atuava como motorista de caminhão-caçamba e o outro na coleta de resíduos do município.

Em resposta à repercussão do caso, a administração municipal de Tacuru confirmou o afastamento de um dos servidores de suas funções públicas.

Comitiva interministerial monitora a região

O clima na região sul do estado passou a ser monitorado de perto por forças de segurança estaduais e federais. Sob determinação do governo federal, uma comitiva de ministros desembarcou em Mato Grosso do Sul para acompanhar a situação de perto. O grupo incluiu o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena.

Durante as agendas oficiais e visitas às aldeias Taquaperi (em Coronel Sapucaia) e Sassoró (em Tacuru), as autoridades reforçaram que o efetivo da Força Nacional de Segurança Pública já está mobilizado no terreno para garantir a proteção das comunidades e evitar novos confrontos.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, enfatizou que os episódios de violência motivados por disputas políticas não serão tolerados e garantiu que os ataques contra os povos indígenas serão tratados com o máximo rigor legal pelas autoridades. A Polícia Federal e as agências de inteligência mantêm os inquéritos abertos para identificar e responsabilizar todos os envolvidos em crimes correlatos na região.

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