Mais da metade dos profissionais do IMOL e dos 14 núcleos regionais já concluiu formação voltada ao atendimento humanizado
O atendimento a vítimas de violência, familiares de pessoas mortas e parentes de desaparecidos é o foco de uma capacitação promovida pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul em parceria com a Fundação Escola de Governo (Escolagov). Segundo a instituição, mais de 50% dos servidores do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) e dos 14 Núcleos Regionais de Medicina Legal já realizaram o curso.
A formação tem carga horária de 20 horas, na modalidade a distância, e envolve especialmente médicos-legistas e agentes de Polícia Científica. O objetivo é preparar os profissionais para ouvir, orientar e acolher pessoas em situações de sofrimento e vulnerabilidade.
Embora a medicina legal seja frequentemente associada às necropsias, a maior parte dos atendimentos dos médicos-legistas ocorre com pessoas vivas, conforme a Polícia Científica. Entre elas estão vítimas de agressões, violência doméstica e sexual, além de pessoas custodiadas.
Para o coordenador de divisão do IMOL, Adalberto Arão Filho, o acolhimento contribui para o trabalho pericial. “O acolhimento não compromete a imparcialidade, pelo contrário, qualifica a prova”, afirma.
Segundo ele, ouvir sem julgamentos e respeitar o ritmo de quem relata uma violência ajuda a reduzir constrangimentos e evitar a revitimização. Essa postura deve acompanhar o registro objetivo dos relatos e dos achados técnicos, sem antecipar conclusões.
Atendimento na Capital e no interior
A capacitação integra outras iniciativas de humanização. Na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, vítimas podem realizar exames médico-legais no mesmo espaço em que recebem atendimento da rede de proteção, evitando novos deslocamentos.
Em Dourados, o Projeto Acalento reúne cuidados de saúde e procedimentos periciais em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Em Amambai, a Sala Lilás oferece atendimento reservado a mulheres vítimas de violência. No município, o projeto Brinquedo que Acolhe também utiliza brinquedos para tornar menos intimidador o contato de crianças com a equipe.
“Nosso trabalho não se limita ao laudo. Ele envolve o atendimento, exige preparo técnico, sensibilidade e integração com a rede de proteção”, afirma o coordenador-geral da Polícia Científica, Nelson Fermino Junior.
Acolhimento a famílias de desaparecidos
Desde maio de 2026, o IMOL e os núcleos regionais contam com um Procedimento Operacional Padrão de Acolhimento e Cadastro de Pessoas Desaparecidas.
O documento orienta a recepção dos familiares, o registro de informações e os encaminhamentos necessários. A proposta é garantir orientação clara e atendimento respeitoso mesmo quando ainda não há respostas sobre o paradeiro da pessoa procurada.
O curso da Escolagov permanece disponível aos servidores. Os cinco módulos abordam direitos humanos, escuta qualificada, comunicação, inteligência emocional e protocolos para situações críticas. A formação também inclui estratégias de cuidado com a saúde emocional dos profissionais que lidam diariamente com violência e perdas.
Com informações da Comunicação da Polícia Científica de MS.