Dados do INCA reforçam a importância do diagnóstico precoce; SUS oferece avaliação e mamografia, e Corumbá amplia atendimentos noturnos durante a campanha
O Outubro Rosa traz um alerta que precisa permanecer durante todo o ano: alterações nas mamas devem ser avaliadas, e os exames de rotina não podem ficar esquecidos. Em Mato Grosso do Sul, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 930 novos casos de câncer de mama feminina em 2026, com taxa estimada de 62,27 casos a cada 100 mil mulheres. Os números são projeções, não uma contagem de diagnósticos já registrados.
No Brasil, a estimativa é de 78.610 novos casos por ano no período de 2026 a 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres. Em 2023, a doença provocou 20.165 mortes de mulheres no país, segundo o INCA.
A campanha busca transformar informação em cuidado: reduzir fatores de risco, reconhecer sinais suspeitos e facilitar o acesso à investigação e ao tratamento.
Mamografia: quando fazer pelo SUS
A orientação atual do Ministério da Saúde é realizar mamografia de rastreamento a cada dois anos em mulheres de 50 a 74 anos, mesmo sem sintomas.
Mulheres de 40 a 49 anos e acima dos 74 também podem acessar o exame por demanda, após orientação de um profissional sobre benefícios e riscos. Já quem apresenta alterações suspeitas deve procurar avaliação em qualquer idade. A investigação de sintomas tem prioridade na marcação dos exames, conforme a nota técnica do ministério.
A mamografia pode identificar alterações antes de serem percebidas ao toque. Uma imagem suspeita, porém, não significa diagnóstico confirmado: a confirmação do câncer depende de biópsia, segundo o INCA.
Sinais que merecem atenção
Caroço endurecido ou que aumenta de tamanho, saída de sangue pelo mamilo, retração do mamilo, pele com aspecto de casca de laranja e nódulos nas axilas são sinais que precisam de investigação.
Ao perceber uma mudança, a mulher deve procurar a unidade de saúde, sem esperar a próxima campanha ou a idade indicada para os exames de rotina.
Hábitos ajudam a reduzir o risco
Segundo o INCA, cerca de 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com hábitos saudáveis. Entre as medidas estão atividade física, manutenção de peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. A amamentação também é um fator de proteção.
Esses cuidados reduzem riscos, mas não eliminam a possibilidade da doença. Ter fatores de risco tampouco significa que a mulher necessariamente desenvolverá câncer.
Onde buscar atendimento
A Unidade Básica de Saúde é o ponto de partida para avaliação e encaminhamento aos exames necessários. O Ministério da Saúde destaca que a rede deve assegurar acesso oportuno à investigação e continuidade do cuidado.
Em Campo Grande, o Hospital de Câncer Alfredo Abrão anunciou uma campanha gratuita com oferta de 80 mamografias por dia, de 15 de outubro a 27 de novembro. Antes de se deslocar, as interessadas devem consultar o hospital sobre critérios, documentos e forma de acesso.
A Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá divulgou uma programação com consultas, avaliação das mamas, encaminhamento para mamografia e exames voltados à prevenção e detecção do câncer do colo do útero.
Entre as próximas ações estão:
- 15 de outubro, das 17h às 21h: UBS Dr. Bonifácio Tikayoshi Tiaen, com consultas e coleta de preventivo mediante agendamento.
- 16 de outubro, das 17h às 21h: UBS Rosimeire dos Santos Ajala, com encaminhamento para mamografia e teste DNA-HPV, entre outros serviços.
- 16 de outubro, das 17h às 21h: ESF Angélica Anache, com avaliação das mamas, preventivo e atendimentos médicos.
- 17 de outubro, das 7h30 às 13h30: ESF Simone Flores e equipes Lúcia I e II, com avaliação das mamas, exame citopatológico e atendimento médico.
A prefeitura orienta procurar a unidade de referência para confirmar os critérios e a necessidade de agendamento. A oferta de teste DNA-HPV depende de disponibilidade e demanda. corumba.ms.gov.br