Resultado das urnas reorganiza o peso dos partidos, mas o desafio do próximo Legislativo será transformar representação em fiscalização e respostas à população
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul que assumirá em 2027 reúne duas características: a permanência de lideranças tradicionais e a chegada de novos representantes. A eleição de domingo (4) mudou a distribuição de forças entre os partidos, sem romper com a presença de grupos que há décadas participam da política estadual.
O PL conquistou nove das 24 cadeiras e será a maior bancada. O PT terá quatro deputados; PSDB e PP, três cada; Republicanos, dois; enquanto MDB, União Brasil e Avante terão um representante cada.
Essa composição coloca o PL em posição relevante nas negociações sobre a presidência da Casa, as comissões e a pauta legislativa. Entretanto, maior bancada não significa maioria absoluta: o partido precisará construir acordos para conduzir decisões que exigem apoio mais amplo.
Renovação não é apenas troca de nomes
Segundo o balanço divulgado pela Assembleia, oito eleitos não integram a composição atual, o equivalente a um terço das cadeiras. Esse movimento, porém, não deve ser confundido integralmente com estreia na política. A chegada de novos parlamentares também inclui lideranças com experiência em outros cargos e trajetórias partidárias consolidadas.
A questão central será o comportamento desses representantes. Renovar o Legislativo significa também ampliar a transparência, acompanhar a execução do orçamento e cobrar resultados das políticas públicas. A troca de nomes, sozinha, não assegura mudança de práticas.
Fiscalização precisa acompanhar governabilidade
Com Eduardo Riedel reeleito, a relação entre Executivo e Legislativo será um dos pontos centrais do próximo mandato. A existência de partidos aliados pode facilitar a negociação de projetos, mas não elimina a responsabilidade de fiscalizar o governo.
Apoiar uma administração não deve significar aprovar automaticamente suas propostas. A Assembleia precisa discutir custos, prioridades e efeitos das decisões sobre os municípios e a população.
Saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento regional devem ocupar espaço permanente no debate, com cobrança de metas e acompanhamento dos recursos públicos.
O teste começa depois da eleição
A nova composição oferece condições para combinar experiência e novas perspectivas. O resultado dessa combinação dependerá da disposição dos deputados para ouvir a sociedade e exercer suas atribuições com independência.
Para o eleitor, o acompanhamento não termina na votação. Começa agora uma etapa igualmente importante: observar como cada parlamentar vota, quais interesses representa e que resultados entrega.
A Assembleia de 2027 será diferente na distribuição das cadeiras. Cabe aos eleitos demonstrar se também será diferente na qualidade do trabalho.