LAMA VERMELHA NO PANTANAL: MPF encurrala mineradora por poeira tóxica, barulho e risco de contaminação do Rio Paraguai

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O Ministério Público Federal (MPF) converteu uma apuração preliminar em Inquérito Civil Público para investigar os severos impactos ambientais e de saúde provocados pelo escoamento de minério de ferro no distrito de Porto Esperança, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O alvo da apuração é a empresa LHG Mining Corumbá S.A., cujas carretas de transporte pesado transitam a poucos metros das residências da comunidade ribeirinha.

A portaria do MPF destaca que a poeira vermelha e a poluição sonora geradas pelo tráfego constante invadiram residências, cobriram plantações e atingiram os sistemas locais de captação e tratamento de água. Além disso, a investigação apura o risco de contaminação direta do Rio Paraguai e da rede de abastecimento da população.

Problemas de saúde e perícia técnica

Moradores da comunidade relatam o surgimento frequente de problemas de saúde decorrentes da exposição contínua aos resíduos minerais. Entre os principais sintomas apontados na denúncia estão:

  • Irritações graves nos olhos e na pele.
  • Crises respiratórias crônicas.
  • Sangramentos nasais constantes.

Diante do cenário, o MPF notificou a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá para que envie o histórico de atendimentos médicos registrados na região desde dezembro de 2025. O órgão também determinou a realização de perícias técnicas multidisciplinares e exames ambientais aprofundados na localidade.

Prazos e posicionamento da empresa

A mineradora LHG Mining foi notificada formalmente e recebeu o prazo legal de 15 dias para apresentar suas justificativas técnicas à Procuradoria da República. O caso também é acompanhado de perto pela Justiça Estadual, onde o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deu parecer favorável ao recurso dos moradores para dar andamento às ações de reparação de danos ambientais.

Em nota oficial, a LHG Mining informou que adota medidas preventivas permanentes para conter os resíduos atmosféricos. A companhia alega ter investido na instalação de um sistema de aspersão fixa em quatro quilômetros de estradas e ampliado o número de caminhões-pipa para umectação contínua das vias operacionais. A empresa também ressaltou que mantém canais de diálogo abertos com a comunidade de Porto Esperança e que apoiou benfeitorias locais recentes, como praças e tubulações de infraestrutura básica.

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