Denúncia aponta uso de contrato com a Redvalue para pagamentos sem execução correspondente dos serviços; MP pede R$ 3,94 milhões em reparações
O juiz Waldir Peixoto Barbosa recebeu denúncia do Ministério Público Estadual contra sete pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa que teria atuado na Santa Casa de Campo Grande entre janeiro de 2024 e setembro de 2026. Segundo a acusação, o grupo utilizava um contrato com a empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços para desviar recursos públicos.
Com a decisão, passam a responder à ação penal Alir Terra Lima Nery, Jary de Carvalho e Castro, Rinaldo Hakme Romano, Alessandro Dias Junqueira, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Monique Gregorio de Oliveira e Mauricio Aparecido Benites.
O magistrado considerou que a denúncia atende aos requisitos legais e não identificou motivos para rejeitá-la. Os réus deverão ser citados pessoalmente e terão dez dias para apresentar resposta por escrito, por meio de advogado. Quem não tiver condições de contratar defesa poderá procurar a Defensoria Pública.
O recebimento da denúncia permite o prosseguimento da ação penal e não representa condenação.
Divisão de tarefas
O Ministério Público sustenta que os acusados mantinham uma estrutura organizada, com divisão de funções entre dirigentes da Santa Casa e o responsável pela empresa contratada.
Segundo os promotores, o grupo teria direcionado a contratação da Redvalue, sustentado a manutenção do contrato e autorizado pagamentos sem a execução correspondente dos serviços. Relatórios e outros documentos teriam sido utilizados para conferir aparência de regularidade às atividades.
A denúncia atribui a Alir Terra Lima a liderança do suposto esquema. Conforme o MP, ela comandava contratações, teria omitido ou fraudado informações encaminhadas à fiscalização e dava a palavra final nas principais decisões.
Jary de Carvalho e Castro, então vice-presidente, é acusado de atuar na priorização dos pagamentos à Redvalue em relação a outras obrigações da instituição.
Os diretores financeiros Rinaldo Hakme Romano e Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa teriam participado da tramitação administrativa, dos adiantamentos e dos pagamentos destinados à empresa.
Alessandro Dias Junqueira, identificado como diretor administrativo e fiscal do contrato, é apontado como participante da formalização e fiscalização do acordo. Segundo a denúncia, ele e Monique Gregorio de Oliveira também teriam produzido relatórios incompatíveis com os parâmetros contratuais.
Mauricio Aparecido Benites é apresentado pela acusação como responsável pelo núcleo empresarial. O MP afirma que ele estruturava a Redvalue, acompanhava a contratação e recebia os recursos apontados como desviados.
Pedidos de reparação
O Ministério Público pede reparação mínima de R$ 1.970.850 por danos materiais e igual valor por danos morais coletivos. Somados, os pedidos chegam a R$ 3.941.700. Os valores ainda serão analisados pela Justiça.
A acusação também requer a perda de bens e valores considerados proveito dos crimes e, quando aplicável, a perda de cargo, função ou mandato, além da suspensão dos direitos políticos como efeito de eventual condenação.
A denúncia foi assinada em 25 de setembro de 2026 pelos promotores Jorge Ferreira Neto Júnior, Luciano Bordignon Conte, Adriano Lobo Viana de Resende e Humberto Lapa Ferri.
O processo segue para a apresentação das defesas. As condutas descritas são acusações do Ministério Público e serão examinadas durante a ação penal, com direito ao contraditório e à ampla defesa.