A uma semana da votação, a disputa pelas oito cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados exige olhar além da popularidade de cada candidato. Na eleição proporcional, os votos recebidos pelos candidatos e pela legenda são somados por partido ou federação. Essa votação coletiva define quantas vagas cada grupo conquista; depois, entram os candidatos mais votados dentro dele, conforme as regras eleitorais. Assim, dois candidatos com votações individuais diferentes podem ter resultados opostos por causa do desempenho de suas chapas.
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, reúne uma das disputas internas mais intensas. Rose Modesto concorre ao lado dos deputados federais Dagoberto Nogueira, Luiz Ovando e Geraldo Resende, além de outros nomes. A concentração de candidatos conhecidos pode elevar a votação da federação e abrir espaço para mais de uma cadeira. Ao mesmo tempo, ninguém ali depende apenas dos próprios votos: o número de vagas obtidas pela chapa determinará quantos dos seus integrantes conseguirão entrar. Na pesquisa espontânea do Instituto Ranking Brasil Inteligência divulgada em 26 de setembro, Rose apareceu com 4,2%; Dagoberto e Ovando, com 3,2% cada; e Geraldo, com 2,6%.
O PL também chega à reta final com uma chapa forte. Mara Caseiro liderou as citações entre seus candidatos na mesma pesquisa, com 4%, seguida pelos deputados federais Rodolfo Nogueira, com 3,2%, e Marcos Pollon, com 3%. Se a legenda alcançar votação suficiente para conquistar mais de uma vaga, a ordem entre esses nomes e o desempenho dos demais candidatos serão decisivos.
Na Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB, Camila Jara busca a reeleição em uma chapa que também tem Marquinhos Trad. A saída de Vander Loubet da disputa para deputado federal, para concorrer ao Senado, altera a composição da bancada atual. A federação precisa transformar a votação distribuída entre seus candidatos em cadeiras; Camila e Marquinhos apareceram com 2,5% e 1,8%, respectivamente, no levantamento espontâneo.
O Republicanos aposta em uma chapa com Beto Pereira, Jaime Verruck, Isa Marcondes e Roberto Hashioka. Na pesquisa, Verruck marcou 2%, Beto, 1,8%, Isa, 1,6%, e Hashioka, 1,2%. Esses números mostram vários nomes capazes de contribuir para a votação do partido, mas ainda não permitem afirmar quantas vagas ele terá. Uma cadeira colocaria os integrantes em disputa direta; uma segunda dependeria de um desempenho coletivo mais alto.
A Federação PSDB-Cidadania tenta se manter competitiva com nomes como Professor Juari, Viviane Luiza e Bia Cavassa. O MDB também busca espaço, com Sandro Azambuja à frente de seus candidatos citados na pesquisa. Para essas chapas, o desafio é reunir votos em volume suficiente para disputar uma das oito vagas, inclusive na distribuição das sobras.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre 21 e 25 de setembro, em 30 municípios, e tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Por ser uma pesquisa espontânea, mede a lembrança dos nomes naquele momento; seus percentuais não equivalem à votação final de cada chapa. A definição virá das urnas em 4 de outubro, quando serão conhecidos os votos válidos, o quociente eleitoral e a quantidade de cadeiras destinada a cada partido ou federação.