Investigação apura suspeitas de desvios de R$ 18 milhões no hospital municipal; mensagens indicam repasse de informações sigilosas ao presidente da unidade
A Operação Dirty Pix, que investiga suspeitas de desvios de R$ 18 milhões no Hospital Municipal Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia, resultou na prisão preventiva de três pessoas e no afastamento de dois secretários municipais e três vereadores. A investigação também aponta que uma policial civil repassava informações sigilosas ao presidente da unidade, Jacob Breure.
Segundo relatório obtido pelo Jornal Midiamax, a investigadora Cristina Rosa Gomes de Carvalho teria antecipado a Breure informações sobre prisões previstas na segunda fase da Operação Tromper, deflagrada em julho de 2023.
Cristina, Jacob e o ex-assessor político Júlio César Alves da Silva foram presos na quarta-feira (7), durante a segunda etapa da Dirty Pix.
Secretários e vereadores afastados
A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, determinou o afastamento por seis meses dos secretários Enelvo Júnior, do Desenvolvimento Econômico, e Cleyton Teixeira, da Agricultura. A medida foi oficializada no Diário Oficial do Município de quinta-feira (8).
A decisão também alcançou os vereadores Cledinaldo Cotócio (PSDB), Adavilton Brandão (MDB) e Izaqueu Diniz (PSD), além do ex-vereador Gabardo (Republicanos), afastado de qualquer função pública que esteja exercendo.
Os afastamentos serão reavaliados após 180 dias, considerando o andamento das investigações e a permanência dos motivos que fundamentaram as medidas. A magistrada poderá prorrogá-los mediante decisão fundamentada.
Mensagens antecipavam prisões
As conversas citadas no relatório foram encontradas no WhatsApp de Jacob Breure, em um celular apreendido na primeira fase da Dirty Pix. Conforme o Midiamax, os promotores apontam que o repasse de informações pela investigadora ocorria de forma recorrente.
Em uma das mensagens, Cristina teria avisado: “Oi. Em Off. Gaeco dentro de uns 7 dias prende meio mundo. Fiquei sabendo agora”.
Jacob respondeu: “Mais todos? Coisa boa”. Na manhã de 21 de julho de 2023, após a deflagração da operação, ela encaminhou ao dirigente uma publicação do Facebook sobre as prisões.
Aquela fase da Tromper teve como alvos os empresários Ueverton Macedo, conhecido como Frescura, Roberto Conceição Valençuela e Ricardo Rocamora, além do servidor Tiago Basso.
Disputa política e pedidos de favores
Conforme as informações divulgadas pelo Midiamax, o grupo investigado na Tromper, apontado como liderado pelo ex-vereador Claudinho Serra, era rival do grupo político coordenado por Breure.
Além dos supostos vazamentos, as mensagens indicariam pedidos de favores da investigadora ao presidente do hospital, como pagamento de aluguéis, serviços em veículos particulares e fornecimento de combustível.
Suspeitas de desvios na Saúde
A Dirty Pix apura o possível desvio de verbas destinadas à compra de equipamentos, materiais hospitalares e de uma UTI móvel, além de obras de reforma do hospital.
Na segunda etapa, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Sidrolândia, Maracaju e Selvíria. Entre os locais estavam o escritório da contadora Rosângela Zanetti Martins Freitas, gestora de contrato da unidade hospitalar.
Segundo as informações atribuídas ao Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), os recursos supostamente desviados eram distribuídos a agentes públicos e intermediários por meio de movimentações financeiras. A investigação também aponta suspeitas de atuação para obstruir a apuração.
As prisões preventivas e os afastamentos são medidas cautelares e não representam condenação dos envolvidos.