Da saúde ribeirinha ao turismo de natureza: Conheça os planos de Bruno Miguéis, o primeiro suplente na chapa de Soraya

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Em entrevista exclusiva ao Estado Diário, o advogado e empresário Bruno Miguéis, presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) em Corumbá, detalhou as propostas estruturantes defendidas por seu grupo político para o desenvolvimento do município pantaneiro. Oficializado como candidato a primeiro suplente na chapa liderada pela senadora Soraya Thronicke (PSB), que concorre à reeleição ao Senado Federal, Miguéis abordou temas sensíveis à região, como o gargalo logístico gerado pelo fluxo de mineração, a fixação de médicos especialistas e a necessidade urgente de diversificação econômica por meio do turismo de natureza e base comunitária.

Estado Diário: Corumbá possui setores fortes na economia tradicional, mas enfrenta discussões sobre o futuro de suas cadeias produtivas. Como o senhor avalia a atual matriz econômica da região e quais são as principais demandas para garantir um crescimento sustentável?

Bruno Miguéis: Corumbá tem uma riqueza extraordinária, impulsionada pelo PIB da mineração e da pecuária, mas vivemos uma armadilha econômica: somos excessivamente dependentes de commodities. Quando o preço do minério de ferro oscila, a cidade inteira sente o impacto. A nossa principal demanda hoje é a diversificação econômica. Precisamos desburocratizar o ambiente de negócios para fortalecer os micros e pequenos empreendedores locais e, principalmente, dar robustez ao turismo de pesca esportiva e de natureza, base comunitária, que gera emprego rápido e mantém o dinheiro circulando no comércio corumbaense.

Estado Diário: O tráfego e a extração mineral geram reflexos diretos na estrutura urbana. O que nos leva ao tema da infraestrutura. O que precisa mudar urgentemente nas vias e na logística de Corumbá?

Bruno Miguéis: O desgaste das nossas vias urbanas é visível e acelerado justamente pelo fluxo intenso desse transporte pesado de cargas e minério. É urgente um plano massivo de recapeamento e drenagem que suporte essa realidade. Mas infraestrutura também é saneamento. Embora existam investimentos conjuntos com o Estado para expandir a rede de esgoto e garantir água tratada, ainda há periferias desassistidas. Além disso, por sermos uma cidade de fronteira internacional, precisamos de uma articulação federal muito mais forte para modernizar o controle alfandegário e a segurança logística das nossas rotas.

Estado Diário: A imensa extensão territorial de Corumbá isola muitas comunidades no Pantanal. Como resolver o gargalo crônico da saúde pública na região?

Bruno Miguéis: A saúde em Corumbá enfrenta uma sobrecarga severa porque o nosso sistema hospitalar atende também a população de Ladário e dos municípios bolivianos vizinhos, cobrindo um universo de quase 150 mil pessoas. A primeira demanda urgente é fixar médicos especialistas na cidade para evitar que o cidadão precise viajar mais de 400 km até Campo Grande para uma consulta de alta complexidade. A segunda é estrutural: precisamos ampliar de forma permanente a saúde flutuante, levando atendimento médico e odontológico regular de navio para as comunidades ribeirinhas que vivem isoladas ao longo do Rio Paraguai.

Estado Diário: No eixo da educação, os dados recentes mostram que metade das crianças da Rede Municipal ainda enfrenta dificuldades de alfabetização na idade certa. Quais as prioridades para o setor?

Bruno Miguéis: Esse é um tema que me preocupa muito. O avanço recente na alfabetização infantil foi um passo importante, mas ter cerca de metade dos alunos precisando de reforço pedagógico contínuo mostra que o pós-pandemia ainda exige ações profundas. Precisamos injetar recursos em ferramentas tecnológicas de apoio e suporte pedagógico direcionado às escolas das periferias. Outro ponto crítico é a logística das ‘Escolas das Águas’ e da zona rural. Manter o transporte escolar seguro e a infraestrutura física adequada nesses locais de difícil acesso no Pantanal exige um orçamento carimbado e bem gerido.

Estado Diário: Por fim, a cultura e o lazer. Corumbá tem o patrimônio histórico mais rico do estado, mas moradores apontam que falta lazer para quem vive nos bairros afastados. Como a chapa de vocês pretende atuar nessa área?

Bruno Miguéis: O lazer e a cultura são fundamentais para a dignidade humana. O Casario do Porto e o acervo arquitetônico de Corumbá são joias que precisam de verba constante de restauro, mas o turismo cultural não pode ser voltado apenas para quem vem de fora. Existe uma assimetria grave: o lazer está concentrado no centro. Nós precisamos descentralizar isso, criando complexos esportivos, praças estruturadas e áreas de convivência nas periferias. O morador de Corumbá quer e merece ter acesso às belezas do Pantanal e espaços públicos de qualidade para a sua família sem precisar cruzar a cidade. Trazer essa visão de desenvolvimento integrado, unindo a força institucional da senadora Soraya e o nosso conhecimento local, é o compromisso que assumimos com a nossa região.

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