Contar abandona discurso de independência e tenta reaproximação com prefeitos de MS

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Contar abaixa o tom com prefeitos e troca a postura de independência pelo discurso de diálogo e conciliação. Depois de admitir distanciamento dos gestores em 2022, candidato ao Senado agora busca o apoio do interior para fortalecer sua candidatura. A pergunta é: mudança de postura ou estratégia eleitoral?

Depois de anos mantendo distância das principais lideranças políticas do interior de Mato Grosso do Sul, Capitão Contar (PL) agora tenta mudar o tom e se apresentar como um candidato mais conciliador. A mudança de postura ficou evidente nesta terça-feira (18), durante um encontro que reuniu 77 dos 79 prefeitos do Estado, em Campo Grande.

Diante dos gestores municipais, o candidato ao Senado pediu desculpas pelo distanciamento ocorrido durante a campanha ao Governo do Estado, em 2022. A declaração revela uma mudança de estratégia justamente em um momento em que Contar enfrenta uma disputa acirrada por uma das duas vagas ao Senado.

Na eleição de 2022, Contar apostou praticamente todas as fichas em um projeto próprio. Como candidato ao Governo, adotou o discurso de independência, manteve distância de boa parte das lideranças políticas tradicionais e acreditou que sua força eleitoral seria suficiente para conduzi-lo sozinho até o Palácio do Planalto.

A estratégia, porém, não funcionou.

Sem uma estrutura política sólida no interior e sem um grupo amplo de lideranças capaz de sustentar sua candidatura nos municípios, Contar terminou derrotado no segundo turno. Agora, quatro anos depois, o cenário é outro: para chegar ao Senado, o candidato precisa justamente dos votos e da articulação política dos prefeitos que, em 2022, ficaram à margem de sua campanha.

O discurso também mudou. O candidato que antes fazia questão de se apresentar como independente agora fala em grupo político, diálogo, conciliação e parceria com os municípios.

“Pedi desculpas porque, na campanha de 2022, muitas vezes chegava nas cidades e não avisava os prefeitos, por não constrangê-los, porque muitos apoiavam meu adversário à época”, justificou Contar.

A explicação, no entanto, não elimina o fato de que o distanciamento foi uma escolha política. Contar decidiu, naquela eleição, seguir um caminho próprio e agora, diante de uma disputa muito mais apertada pelo Senado, precisa reconstruir pontes que poderiam ter sido construídas há quatro anos.

Da independência à “boa política”

Contar também atribuiu parte do afastamento dos prefeitos ao período da pandemia de Covid-19 e lembrou que esteve em campo político oposto ao do governador Eduardo Riedel na eleição de 2022.

Hoje, porém, o candidato integra um grupo político mais amplo e tenta vender aos prefeitos a ideia de que a união de forças pode resultar em mais recursos e investimentos para os municípios.

A mudança de discurso é clara. O candidato que em 2022 apostou na imagem de independência agora promete “fazer a boa política” e manter as portas do gabinete abertas.

“Os municípios estão com orçamento comprometido, com a crise afetando municípios e tirando a capacidade de investimentos. Estarei de portas abertas e de mãos estendidas para trazer recursos e fazer a boa política”, afirmou.

O discurso de humildade, entretanto, chega justamente quando o voto dos prefeitos e a força das alianças municipais se tornaram fundamentais para a estratégia eleitoral.

De olho no segundo voto

A ofensiva de Contar tem um objetivo claro: conquistar o chamado segundo voto dos prefeitos do interior. Em uma eleição para o Senado com vários nomes competitivos, cada apoio pode fazer diferença.

A questão agora é saber se o pedido de desculpas será suficiente para apagar a impressão deixada pela postura adotada em 2022.

Na política, aproximação em ano eleitoral costuma ser recebida com cautela. E Contar terá de provar que a mudança não é apenas uma estratégia para buscar votos, mas uma nova forma de fazer política e de se relacionar com os municípios de Mato Grosso do Sul.

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