Cicatriz de milhões: Ernesto Geisel ganha novo gasto de R$ 1,1 milhão em obra sem fim

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O cenário que se arrasta há mais de uma década nas margens do Rio Anhanduí ganhou mais um capítulo orçamentário. A Prefeitura de Campo Grande publicou no Diogrande desta sexta-feira (16) o aviso de uma nova licitação, orçada em R$ 1,1 milhão, voltada para a requalificação da malha viária da Avenida Europa — trecho fundamental que conecta a Avenida Ernesto Geisel à Avenida Bandeirantes. Com abertura de propostas marcada para o dia 4 de novembro de 2026, a intervenção expõe o eterno paradoxo da gestão pública da capital: a necessidade contínua de remendos asfálticos em uma região que já engoliu verdadeiras fortunas.

O histórico financeiro da Ernesto Geisel é uma conta complexa de dezenas de milhões de reais fragmentados em certames, aditivos e repactuações. Somente no segundo semestre de 2026, uma fase de restauração funcional e contenção de processos erosivos no fundo de vale do córrego demandou um investimento de R$ 22,1 milhões. Paralelamente, o município precisou abrir o Pregão Eletrônico 035/2026, estimado em R$ 5,4 milhões, para tentar frear trincas e afundamentos na pista. Embora o certame tenha sido homologado por R$ 4,8 milhões com a Titanium Construções, a realidade é que o custo global do projeto original, estimado em gestões passadas na casa dos R$ 47 milhões, já escalou para um teto orçamentário superior a R$ 68 milhões após sucessivos aditivos, como os R$ 4 milhões injetados para conter barreiras de gabião e erosões severas.

Paralelamente ao rombo nos cofres públicos, o arrasto das obras estrangula a economia da região. O prolongamento dos prazos e os bloqueios constantes geram um impacto financeiro devastador para o comércio local. Empresários estabelecidos nas margens da avenida e nas vias de acesso relatam quedas drásticas no faturamento, que em alguns setores chegam a superar 40% devido à perda de visibilidade e à severa dificuldade de acesso dos clientes. Oficinas mecânicas, lojas de autopeças e pequenos comércios varejistas sofrem com a poeira constante, a falta de vagas para estacionamento e o isolamento provocado pelos desvios, forçando demissões e ameaçando o fechamento definitivo de portas que resistem bravamente à poeira e ao esquecimento.

Quem paga o preço dessa engenharia arrastada é o cidadão, que convive com desvios diários e o comércio sufocado. A promessa atual da prefeitura é que a entrega definitiva das pistas ocorra em dezembro de 2026, após novos adiamentos motivados por entraves climáticos e atrasos técnicos. Até lá, frentes de trabalho mantêm bloqueios parciais e lentidão na Margem Esquerda — entre a Rua do Aquário e a Avenida Manoel da Costa Lima (próximo ao Guanandizão) — e na Margem Direita, estendendo-se até a Rua Pirituba. Enquanto as obras entre as ruas Bom Sucesso e Abolição caminham a passos lentos sob o financiamento do Finisa, Campo Grande assiste a uma das suas principais artérias viárias se transformar em um monumento à lentidão e ao desperdício.

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