Chicão Vianna deve explicações e um pedido de desculpas após episódio diante da casa de família do prefeito

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Relato encaminhado ao Estado Diário aponta que candidato manteve provocações após queda de Dr. Oseas Ohara; campanha eleitoral exige responsabilidade e respeito

Por Lu Barreto — comentário

Uma campanha eleitoral deve oferecer ao cidadão propostas, argumentos e condições para avaliar quem pretende representá-lo. Quando o confronto político chega à porta de uma residência e, diante da queda de um idoso, dá lugar ao deboche, é preciso cobrar limites.

Segundo o relato sobre um vídeo encaminhado ao Estado Diário, o vereador de Corumbá e candidato a deputado estadual Chicão Vianna, do Republicanos, parou um caminhão de som em frente à casa dos pais do prefeito Gabriel Ohara e fez acusações contra a família.

Ainda conforme as informações recebidas, Dr. Oseas Ohara, de mais de 70 anos, saiu da residência, demonstrando nervosismo, e caiu. O relato aponta que Chicão continuou as provocações, referindo-se à situação como “desespero”, em vez de interromper sua fala para pedir ajuda.

Uma conduta profundamente reprovável. Diante de uma pessoa caída, a primeira reação esperada de qualquer cidadão — especialmente de quem ocupa um mandato e pede votos para outro — é verificar se ela precisa de socorro.

Nenhuma divergência política justifica transformar a vulnerabilidade de um idoso em instrumento de provocação eleitoral.

Fiscalizar não dá licença para humilhar

O prefeito e sua administração estão sujeitos à fiscalização, à cobrança e à crítica. Um vereador tem o dever de questionar decisões públicas, apontar problemas e apresentar denúncias fundamentadas. Mas esse dever não concede autorização para constranger familiares na porta de casa.

Acusações precisam ser sustentadas por elementos verificáveis e, quando indicarem irregularidades, encaminhadas aos órgãos competentes. O volume de um caminhão de som não substitui provas, assim como a agressividade não demonstra preparo para legislar.

O episódio relatado exige uma pergunta direta: que postura o eleitor espera de alguém que pretende representar Corumbá e Mato Grosso do Sul na Assembleia Legislativa?

Respeito, equilíbrio e capacidade de agir diante do sofrimento alheio deveriam ser requisitos básicos. A responsabilidade de um representante público também aparece na maneira como ele trata quem está do outro lado de uma disputa.

Republicanos precisa responder sobre a conduta de seus candidatos

O Republicanos também deve ser cobrado. Um partido apresenta candidatos à sociedade e precisa estar disposto a responder sobre a atuação deles.

Em ocasião anterior, diante de questionamentos do Estado Diário sobre vídeos envolvendo a candidata a deputada federal Isa Marcondes, a direção partidária procurada recusou-se a se posicionar, conforme registro desta jornalista. Agora, o episódio atribuído a Chicão impõe uma nova cobrança por uma manifestação clara.

São situações distintas, que devem ser avaliadas individualmente. A responsabilidade partidária, porém, permanece: explicar quais padrões de conduta a legenda exige de quem disputa votos sob sua sigla.

Um pedido público de desculpas é o mínimo esperado

Esta jornalista tinha respeito por Chicão Vianna. Justamente por isso, o comportamento descrito causa indignação e exige esclarecimento.

Vereador, se a gravação confirmar que o senhor manteve o deboche após a queda de Dr. Oseas, deve a ele um pedido público de desculpas. Deve também aos eleitores uma explicação sobre sua postura.

Pedir desculpas não apaga o episódio, mas demonstra disposição para reconhecer um erro. Insistir na provocação apenas amplia a distância entre o discurso de representar a população e a obrigação de respeitá-la.

A disputa termina nas urnas. A dignidade das pessoas não pode ser sacrificada no caminho.

Este texto expressa a avaliação da autora a partir do relato recebido sobre o vídeo. O espaço permanece aberto para manifestações de Chicão Vianna, da família Ohara e da direção do Republicanos.

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