CAARAPÓ — A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron), deflagrou nesta quinta-feira (29) a Operação Bunker. A ofensiva desarticulou uma sofisticada organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro, que mantinha um depósito subterrâneo camuflado no município de Caarapó, a 273 quilômetros de Campo Grande. Ao todo, sete pessoas foram presas e mais de 5,6 toneladas de entorpecentes foram apreendidas.
De acordo com as autoridades policiais, o grupo utilizava uma oficina mecânica na cidade como fachada para acobertar as atividades ilícitas. No imóvel, os criminosos projetaram e construíram um compartimento subterrâneo de alta segurança — o “bunker” que dá nome à operação —, destinado exclusivamente ao armazenamento de grandes carregamentos trazidos da região de fronteira com o Paraguai. A estrutura também servia de ponto de apoio para a preparação e adaptação dos veículos usados no escoamento dos materiais.
As investigações da Defron apontam que o núcleo logístico da quadrilha operava com uma frota de caminhonetes de luxo, com foco em modelos Toyota Hilux SW4. Os veículos utilizados no transporte eram de origem criminosa — frutos de roubos ou furtos registrados em Mato Grosso do Sul ao longo de 2026 — e passavam por um processo de adulteração de placas e sinais identificadores para despistar a fiscalização nas rodovias.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes recuperaram três dessas caminhonetes clonadas e apreenderam uma arma de fogo com munições. O volume total de drogas confiscadas somou 5.675 quilos, divididos entre 5.668 quilos de maconha e cerca de 7,8 quilos de haxixe marroquino. O prejuízo estimado causado ao crime organizado com a perda dos veículos e insumos chega a R$ 12,5 milhões.
O inquérito que culminou na operação teve início após cruzamento de dados de duas apreensões anteriores efetuadas pelo Departamento de Operações de Fronteira (DOF), sendo a mais recente registrada em agosto de 2026. A partir desses flagrantes, a Defron identificou a divisão de tarefas dos núcleos central, logístico e financeiro do bando.
Além dos cinco mandados de prisão preventiva cumpridos e das três prisões em flagrante efetuadas nesta manhã, o Poder Judiciário determinou o bloqueio imediato de ativos financeiros, contas bancárias e aplicações vinculadas aos investigados para sufocar a estrutura econômica da organização.