POLÍCIA FEDERAL DEFLAGRA OPERAÇÃO CONTRA IRREGULARIDADES NO TCE-MT COM DESDOBRAMENTOS EM MATO GROSSO DO SUL

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Investigação “Tomada de Contas” cumpre mandados de prisão preventiva e busca e apreensão expedidos pelo STJ; presidente da Corte de Contas de Mato Grosso e servidores estão entre os alvos.

CAMPO GRANDE — A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a Operação Tomada de Contas, que apura um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), cumpre mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão.

Entre os principais alvos com prisão preventiva decretada está o atual presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida. Também figuram na lista de ordens prisionais servidores de alto escalão da Corte de Contas mato-grossense, como a secretária-executiva Roseli Loss, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira, além de Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe Jose Glinke.

Ações em Mato Grosso do Sul
Embora o foco central da investigação seja a estrutura do tribunal de Mato Grosso, a Polícia Federal estendeu o cumprimento de mandados de busca e apreensão e ordens de sequestro de bens e valores para Mato Grosso do Sul e São Paulo. Até o fechamento desta edição, a corporação e o Ministério Público Federal não haviam divulgado quais municípios sul-mato-grossenses foram alvos das diligências, tampouco a identidade das pessoas físicas ou jurídicas que sofreram buscas no Estado.

O TCE de Mato Grosso do Sul acumulou, nos últimos anos, um histórico de operações da própria Polícia Federal — a exemplo das operações Mineração de Ouro, Terceirização de Ouro e Casa de Ouro —, que resultaram no afastamento de conselheiros locais por suspeitas envolvendo contratos de informática. As autoridades que coordenam a Operação Tomada de Contas ressaltam, contudo, que as suspeitas atuais tratam especificamente do tribunal vizinho, sem que haja, até o momento, qualquer confirmação de vínculo com os inquéritos anteriores em MS.

O Esquema
De acordo com os investigadores, o modus operandi da organização criminosa baseava-se em duas frentes principais de asfixia financeira e favorecimento ilícito. O grupo atuava suspendendo de forma deliberada contratos administrativos vigentes e legítimos do TCE-MT para pressionar empresas prestadoras de serviço a pagar vantagens indevidas (propina) como condição para reaver os pagamentos ou manter os vínculos contratuais.

Em contrapartida, as empresas que aceitavam fazer parte do esquema recebiam tratamento privilegiado na liberação de verbas e na tramitação interna de processos. A Polícia Federal identificou vultosas movimentações financeiras atípicas ligadas aos investigados, incluindo saques recorrentes de valores expressivos em dinheiro vivo realizados dentro das próprias dependências do órgão público.

As investigações prosseguem sob sigilo no STJ devido ao foro por prerrogativa de função de parte dos envolvidos. A reportagem busca contato com a defesa dos citados, e o espaço permanece aberto para manifestações oficiais.

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