Defesa de presidente presa da Santa Casa tenta revogação de preventiva na Justiça

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A defesa técnica de Alir Terra Lima, diretora-presidente afastada da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, finaliza os detalhes para protocolar um pedido formal de liberdade perante o Poder Judiciário. Alir e outros cinco integrantes do alto escalão administrativo do hospital completam quase uma semana de detenção. O grupo teve a prisão preventiva mantida após passar por audiência de custódia.

Segundo o advogado de defesa, Murilo Marques, a cliente nega categoricamente envolvimento em práticas ilícitas e demonstra profunda indignação com as acusações apresentadas. A estratégia dos advogados consiste em comprovar ao magistrado a ausência de fundamentos legais que justifiquem a manutenção da prisão preventiva no atual estágio das investigações.

O esquema e os desvios milionários

De acordo com relatórios do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Alir Terra Lima é apontada como figura central de uma organização criminosa estruturada. O grupo realizava o direcionamento ilícito de licitações, simulação de concorrências de mercado e emissão de atestos falsos para serviços que nunca foram prestados.

As fraudes começaram a ser mapeadas em contratos voltados para a digitalização de prontuários médicos. A investigação identificou transações financeiras altamente suspeitas, incluindo saques em espécie fracionados no valor de R$ 49.999. O Ministério Público sustenta que o método era utilizado deliberadamente para tentar burlar os mecanismos de monitoramento do Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A apuração patrimonial também revelou a compra de uma residência por R$ 400 mil efetuada por Alir em dinheiro vivo, além do repasse de R$ 9,6 milhões pela operadora Santa Casa Saúde a empresas fantasmas que mudaram de endereço formal assim que as investigações avançaram.

Substituição na diretoria e impactos na saúde

Em decorrência do escândalo financeiro e das ordens de restrição expedidas pela Justiça, a instituição precisou passar por uma reformulação de urgência em seu organograma. O vice-presidente Heitor Miguel Scheibeler assumiu de forma interina o comando da Santa Casa. Novas lideranças funcionais também foram indicadas para substituir os diretores financeiro e administrativo que seguem atrás das grades.

A crise nos bastidores coincide com um momento delicado no atendimento à população. Desde o final de julho, o hospital suspendeu por tempo indeterminado a realização de cirurgias cardíacas pediátricas eletivas em virtude da escassez de equipes médicas especializadas. Apesar dos desvios apurados na Operação Antidotum, a gerência interina emitiu nota garantindo que as consultas e os procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) seguem operando dentro da normalidade.

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