Uma empresária do ramo da moda de alto padrão em Campo Grande é o principal alvo da “Operação Luxúria”, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10) [MPRS]. A ação interestadual é coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e conta com o apoio operacional do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso do Sul [MPMS].
O objetivo principal da força-tarefa é desarticular um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro comandado por uma liderança de uma facção criminosa baseada em território gaúcho [MPRS]. A Justiça determinou o bloqueio imediato de até R$ 8,1 milhões em bens e contas dos investigados [MPRS].
Ostentação e empresas de fachada
Durante o cumprimento dos 17 mandados de busca e apreensão espalhados por Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, as equipes policiais apreenderam joias, artigos de grife, dois veículos blindados e uma mansão localizada em Porto Alegre [MPRS].
De acordo com as investigações, o núcleo familiar e empresarial do grupo — composto por sete suspeitos principais — utilizava contas de parentes e “laranjas” [MPRS]. A boutique de luxo localizada na capital sul-mato-grossense funcionava como fachada para misturar o capital ilícito, oriundo do tráfico de drogas, ao faturamento legal do comércio, simulando uma atividade financeira legítima [MPRS].
Desdobramentos
Em Mato Grosso do Sul, o Gaeco concentrou os cumprimentos de mandados nas cidades de Campo Grande e Porto Murtinho [MPMS]. A defesa da empresária alvo da operação informou que está acompanhando o caso e é conduzida pelos advogados Jail Azambuja e Sergio Lanzone.
O material eletrônico e os documentos apreendidos nesta manhã serão periciados pelo Ministério Público para mapear a rota completa do dinheiro e identificar se outras empresas e comércios da região Centro-Oeste também eram utilizados pela organização criminosa [MPRS].
Líder foi transferido para presídio federal
Tiago Paixão Almeida, conhecido como “Boy”, é apontado pelas autoridades como um dos líderes da organização e responsável pela expansão da facção TCP (Terceiro Comando Puro) em Mato Grosso do Sul.
Ele foi preso durante a Operação Blindagem, em um edifício no Jardim dos Estados, e posteriormente transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A remoção ocorreu após pedido da administração penitenciária, que alegou risco de continuidade das atividades criminosas e tentativa de cooptação de agentes públicos.
As investigações apontam que o grupo continuava articulando crimes mesmo de dentro dos presídios, com uma rede de colaboradores responsável pela distribuição de drogas, cobrança de dívidas e movimentação financeira.
Investigação continua
O envolvimento da empresária e a possível utilização da boutique para lavagem de capitais ainda serão analisados pela Justiça. O fato de uma pessoa ser investigada ou denunciada não representa condenação, e todos os citados têm direito à defesa e ao contraditório.
Até a publicação desta matéria, não havia sido localizada manifestação pública da proprietária ou de sua defesa sobre as acusações. O Estado Diário mantém o espaço aberto para esclarecimentos.