A mala de Catan: quando a fiscalização pública vira espetáculo de campanha

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O deputado estadual e candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul João Henrique Catan (Novo) compareceu à sessão desta quarta-feira (9), na Assembleia Legislativa, carregando uma mala. O objeto foi utilizado como referência ao episódio envolvendo o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez Ramos, filmado desembarcando de um jatinho acompanhado de bagagens.

O parlamentar já havia divulgado as imagens nas redes sociais e questionado a presença do secretário na aeronave. A denúncia também foi formalmente encaminhada aos órgãos competentes, que deverão analisar o caso, buscar esclarecimentos e verificar se houve alguma irregularidade.

A partir desse momento, entretanto, a responsabilidade do agente público deveria falar mais alto. Levar uma mala ao plenário e transformar a tribuna em cenário para uma encenação política não contribui para esclarecer os fatos. Ao contrário, converte uma denúncia que merece ser tratada com seriedade em espetáculo eleitoral.

Fiscalização não é teatro

Fiscalizar o Poder Executivo é uma das atribuições mais importantes de um deputado estadual. Questionar relações entre agentes públicos e grandes grupos empresariais também é legítimo, especialmente quando existem contratos, incentivos fiscais ou outros interesses econômicos envolvidos.

Mas fiscalização exige documentos, requerimentos, convocações, pedidos de informação e encaminhamento aos órgãos de controle. Uma mala carregada até a tribuna pode produzir fotografias, vídeos e repercussão nas redes sociais, mas não acrescenta provas à denúncia.

Ao escolher a encenação, Catan corre o risco de enfraquecer o próprio questionamento e transmitir a impressão de que está mais interessado no impacto eleitoral do episódio do que no esclarecimento dos fatos. A atitude pode render visibilidade momentânea, mas também provoca desgaste e descrédito para um parlamentar que se apresenta como alternativa ao atual governo.

A Assembleia Legislativa não é palco de campanha. O plenário é um espaço institucional mantido com dinheiro público e deve ser utilizado com respeito, equilíbrio e responsabilidade. A proximidade das eleições não autoriza que as atividades parlamentares sejam transformadas em peças de marketing pessoal.

A coisa pública deve ser tratada com respeito. E isso vale tanto para quem governa quanto para quem pretende governar Mato Grosso do Sul.

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