Maioria dos candidatos receberá R$ 700 mil, enquanto deputados que buscam a reeleição terão R$ 3 milhões cada; recursos também serão direcionados à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
A executiva nacional do PL decidiu reduzir pela metade os recursos previstos para a maioria dos candidatos a deputado estadual e federal em Mato Grosso do Sul. O valor inicialmente estimado em R$ 1,4 milhão por candidatura ficará limitado a R$ 700 mil durante toda a campanha eleitoral, conforme apuração do jornal Correio do Estado.
O corte de 50% também atingirá candidaturas proporcionais em outros estados, embora a medida não seja aplicada de forma igual a todos os concorrentes. Parlamentares que buscam a reeleição e nomes considerados mais competitivos pela direção nacional terão tratamento diferenciado.
Parte do dinheiro economizado será direcionada à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e às disputas pelo Senado, consideradas prioridades estratégicas do partido para as eleições de 2026.
A direção nacional ainda não divulgou a lista completa dos estados, diretórios e candidatos afetados pela redução.
Pollon e Rodolfo ficam fora do corte
Em Mato Grosso do Sul, os deputados federais Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira serão exceções. Os dois tentarão renovar os mandatos e deverão receber R$ 3 milhões cada um.
A destinação dos recursos foi confirmada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Individualmente, Pollon e Rodolfo receberão valores mais de quatro vezes superiores aos R$ 700 mil previstos para a maioria dos candidatos.
A diferença revela uma estratégia de concentração do Fundo Eleitoral em políticos que já possuem mandato e são considerados capazes de conquistar maior número de votos. O objetivo é preservar a bancada do partido na Câmara dos Deputados e reduzir os riscos de perda de cadeiras.
Para os demais candidatos, o corte deve tornar a campanha mais difícil, principalmente para aqueles que precisam ampliar o conhecimento do nome entre os eleitores e estruturar equipes nos municípios do interior.
Senado também terá prioridade
Valdemar Costa Neto confirmou que os candidatos do PL ao Senado receberão valores superiores aos destinados às disputas por vagas de deputado estadual e federal. Os montantes individuais, entretanto, não foram divulgados.
Em Mato Grosso do Sul, a legenda aposta no ex-governador Reinaldo Azambuja e no ex-deputado estadual Capitão Contar para conquistar as duas cadeiras que estarão em disputa.
Os dois aparecem entre as principais prioridades eleitorais do partido no Estado e deverão concentrar uma parcela significativa dos recursos destinados ao diretório regional.
A estratégia nacional é ampliar a presença do PL no Senado a partir de 2027. Uma bancada maior aumentaria a influência da legenda na votação de projetos, indicações para tribunais superiores, pedidos de impeachment e outras decisões que dependem dos senadores.
Flávio Bolsonaro entra no centro da distribuição
A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro também deverá receber parte dos recursos retirados das campanhas proporcionais. Com isso, o partido reorganiza sua estrutura financeira em torno de três objetivos: disputar a Presidência da República, aumentar a bancada no Senado e preservar os deputados federais considerados mais competitivos.
Na prática, candidatos com menor projeção eleitoral terão menos recursos, enquanto uma parcela maior do dinheiro será direcionada aos nomes escolhidos como prioritários pela cúpula nacional.
A decisão pode gerar insatisfação entre lideranças estaduais, especialmente porque candidatos a deputado ajudam a ampliar a presença do partido nos municípios e a formar as chapas que sustentam os projetos majoritários.
PL controla maior fatia do Fundo Eleitoral
A redistribuição ocorre apesar de o PL possuir a maior parcela do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições deste ano. A legenda dispõe de aproximadamente R$ 881,6 milhões em recursos públicos.
Pelos critérios internos definidos inicialmente, 70% do Fundo Eleitoral seriam repassados aos diretórios estaduais. Os 30% restantes permaneceriam sob o controle da executiva nacional.
Essa reserva equivale a aproximadamente R$ 265 milhões e será utilizada para financiar as candidaturas consideradas estratégicas, entre elas a de Flávio Bolsonaro à Presidência e as disputas pelo Senado.
A concentração dos recursos mostra que, mesmo com o maior fundo entre os partidos, o PL optou por estabelecer uma hierarquia eleitoral. Em Mato Grosso do Sul, Pollon, Rodolfo, Reinaldo e Contar estarão no grupo privilegiado, enquanto a maioria dos candidatos terá de disputar votos com metade do valor inicialmente previsto.