Polo será o único do Centro-Oeste e deverá acelerar o atendimento em situações de desastres ambientais, epidemias e outras emergências de saúde pública
Campo Grande receberá uma base regional da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS) a partir de novembro de 2026. O polo será o único instalado na região Centro-Oeste e fará parte da estratégia do Governo Federal para acelerar a resposta a emergências sanitárias e desastres ambientais.
A instalação foi anunciada nesta sexta-feira (28), durante uma reunião entre representantes do Governo Federal, estados e municípios. O encontro tratou da preparação dos serviços públicos para enfrentar os possíveis impactos do El Niño nos próximos meses.
A estratégia federal considera o risco de alterações no regime de chuvas, ondas de calor, incêndios florestais e aumento da circulação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, a proposta é descentralizar a Força Nacional do SUS, atualmente concentrada em Brasília, e aproximar as equipes das áreas mais vulneráveis.
A presença de uma estrutura permanente em Campo Grande deverá reduzir o tempo necessário para mobilizar profissionais, medicamentos, equipamentos e apoio logístico em situações de crise no Centro-Oeste.
Como funciona a Força Nacional do SUS
Criada em 2011, a Força Nacional do SUS atua quando a capacidade de resposta dos estados ou municípios é insuficiente diante de uma emergência.
As equipes podem prestar atendimento médico, realizar busca ativa e monitoramento de pacientes, distribuir medicamentos, fornecer apoio técnico e logístico e auxiliar na recuperação da rede de saúde atingida.
Dependendo da gravidade da ocorrência, a estrutura também pode mobilizar hospitais de campanha e equipes especializadas para suporte básico e avançado de vida.
O acionamento pode ocorrer em situações de desastre, surtos, epidemias, acidentes de grande porte, desassistência à população e eventos com múltiplas vítimas.
Atuação recente em Dourados
Mato Grosso do Sul recebeu o apoio da FN-SUS em março deste ano, durante a epidemia de chikungunya em Dourados. A equipe permaneceu durante um mês no município e mobilizou 40 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e psicólogos.
Até o início de abril, mais de 1,4 mil pessoas foram atendidas na Reserva Indígena de Dourados. As equipes também realizaram 96 transferências de pacientes para hospitais e visitaram cerca de 250 residências.
Mato Grosso do Sul registrava 12,6 mil casos prováveis e 30 mortes por chikungunya. Somente em Dourados, foram contabilizados aproximadamente 5,2 mil casos e 18 óbitos, a maioria entre moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru.
Calor pode elevar circulação de arboviroses
O aumento das temperaturas provocado pelo El Niño também preocupa as autoridades sanitárias. Conforme o infectologista Júlio Croda, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o calor favorece a reprodução do Aedes aegypti e pode ampliar a circulação de chikungunya e dengue.
O risco foi discutido pela Sala de Situação Nacional sobre o El Niño, que monitora os possíveis efeitos do fenômeno sobre a saúde pública.
Segundo projeções apresentadas pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), o El Niño deve favorecer a ocorrência de ondas de calor em Mato Grosso do Sul. A expectativa é de intensidade moderada até setembro, com possibilidade de evolução para muito forte entre setembro e dezembro.
O fenômeno, entretanto, não produz os mesmos efeitos em todos os anos. Caso provoque chuvas acima da média, poderá aumentar o risco de alagamentos. Se houver predomínio de calor e falta de chuvas regulares, as condições serão favoráveis à propagação de incêndios florestais.
Risco de fogo preocupa Centro-Oeste
Mapas apresentados pelo Ibama indicam situação de atenção para incêndios em grande parte de Mato Grosso do Sul entre setembro e outubro. Municípios das regiões central, norte e do Bolsão podem alcançar estágio de alerta.
A representante do Ministério do Meio Ambiente, Anna Flávia de Senna Franco, afirmou que os incêndios já apresentam crescimento de intensidade no país e podem ocorrer com maior força no Centro-Oeste nos próximos meses.
Além da base da FN-SUS em Campo Grande, Cuiabá recebeu um Centro de Informação em Saúde e Clima, responsável por reunir dados, monitorar eventos climáticos e analisar possíveis impactos epidemiológicos.
O Governo Federal também prevê R$ 78,9 milhões em investimentos do Novo PAC para ações de prevenção a desastres em Mato Grosso do Sul.