O Ministério Público Eleitoral apresentou pedidos de impugnação contra dez registros de candidatura em Mato Grosso do Sul para as Eleições 2026. O número faz parte de um balanço nacional divulgado nesta quinta-feira (27) pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
A relação completa dos dez candidatos contestados não foi divulgada pela PGR. Até o momento, porém, quatro nomes foram identificados em processos e informações publicadas pela imprensa: Jamilson Name, Jerson Domingos, Carlos Bernardo e Jeferson José Bezerra.
As impugnações ainda serão analisadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Portanto, os pedidos apresentados pelo Ministério Público não significam que as candidaturas já tenham sido indeferidas.
Entre os nomes contestados está o deputado estadual Jamilson Name (PP), candidato à reeleição. O Ministério Público cita uma condenação em primeira instância a oito anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro, em processo relacionado à Operação Omertà. A sentença ainda está em fase de recurso.
A Procuradoria também questiona as certidões criminais apresentadas no pedido de registro. Conforme informações divulgadas sobre o processo, os documentos não fariam referência à condenação ocorrida em 2025. A defesa do parlamentar contesta as acusações.
Outro alvo é o ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Jerson Domingos (União Brasil), que tenta retornar à Assembleia Legislativa.
Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, Jerson teria ligação com uma organização criminosa armada investigada na Operação Omertà. O candidato nega as acusações e ainda não possui condenação definitiva relacionada ao caso.
Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, o empresário Aparecido Carlos Bernardo, conhecido como Carlos Bernardo (União Brasil), também teve o registro questionado.
A impugnação está relacionada a uma doação eleitoral de R$ 90 mil feita em 2020 para uma campanha à Prefeitura de Itumbiara, em Goiás. De acordo com a Procuradoria, o valor ultrapassou o limite permitido com base nos rendimentos declarados pelo empresário naquele ano.
O quarto nome identificado é o de Jeferson José Bezerra (Agir), candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul. A Procuradoria aponta a falta de prestação de contas referente à candidatura apresentada por ele nas eleições municipais de 2024. A pendência poderia comprometer a comprovação da quitação eleitoral, exigida para a concessão do registro.
Balanço nacional
Em todo o país, o Ministério Público Eleitoral contestou 974 pedidos de registro de candidatura. Mais de 70% das impugnações envolvem candidatos a deputado estadual ou federal.
Entre os motivos apresentados estão condenações criminais, improbidade administrativa, abuso de poder político ou econômico, ausência de filiação partidária, falta de quitação eleitoral, rejeição de contas públicas e descumprimento dos prazos de desincompatibilização.
A decisão sobre a manutenção ou o indeferimento das candidaturas cabe à Justiça Eleitoral. Os candidatos terão direito de apresentar defesa e recorrer de eventuais decisões desfavoráveis.
De acordo com o calendário eleitoral, os processos de registro devem ser julgados até 14 de setembro. Até que haja uma decisão, os candidatos permanecem na disputa, observadas as determinações que eventualmente forem impostas pelo TRE-MS.