Gabinete e casa da vice-prefeita de Campo Grande são alvos de operação da PF sobre fraude na Previdência

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (25), a Operação Presciência, que investiga suspeitas de irregularidades e fraudes em uma aplicação financeira de R$ 1,2 milhão do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG). Entre os principais alvos da ação estão a casa e o gabinete da vice-prefeita da Capital, Camila Nascimento, que também ocupa o cargo de secretária municipal de Assistência Social.

A ofensiva ocorre às vésperas do aniversário de 127 anos de Campo Grande, celebrado nesta quarta-feira (26). Ao todo, os agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão na cidade, expedidos pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, que também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Buscas na SAS e histórico da investigação

Por volta das 5h, equipes da PF chegaram ao prédio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS). Funcionários relataram que os policiais exigiram acesso a diversas salas, incluindo o gabinete de Camila Nascimento, sob aviso de que arrombariam as portas caso as chaves não fossem entregues. Os agentes deixaram os locais carregando malotes repletos de materiais apreendidos.

A investigação foi iniciada após um relatório de auditoria da Coordenação-Geral de Auditoria do Ministério da Previdência Social detectar graves falhas no processo que levou à compra de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. À época da transação, Camila Nascimento presidia o IMPCG.

Segundo a PF, servidores públicos responsáveis pela decisão ignoraram, por ação ou omissão, procedimentos técnicos e administrativos obrigatórios, expondo o patrimônio dos servidores municipais a riscos severos. O inquérito apura os crimes de gestão temerária, corrupção ativa e corrupção passiva.

Dinheiro retido e impacto em aposentados

Após a quebra do Banco Master, o investimento passou a ser fortemente questionado. Em depoimento anterior à Câmara Municipal, Camila Nascimento chegou a declarar que não considerava a aplicação de risco, apesar de alertas prévios sobre a instituição financeira.

O atual presidente do IMPCG, Marcos Tabosa, estimou publicamente que o montante de R$ 1,2 milhão seria recuperado em até três meses por meio de bloqueios judiciais. Contudo, quase um ano após a promessa, os recursos ainda não retornaram aos cofres do instituto.

Além do desfalque na previdência municipal, a reportagem apurou que aposentados e pensionistas de Campo Grande que contrataram empréstimos consignados vinculados ao Banco Master continuam sofrendo descontos mensais diretamente em seus benefícios, agravando o impacto financeiro da crise sobre os segurados.

A Secretaria Municipal de Assistência Social informou que aguarda o pleno conhecimento dos autos para se manifestar oficialmente sobre o caso.

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