Segundo a Polícia Militar, equipes da Rádio Patrulha e da Força Tática receberam uma denúncia informando que um homem estava sendo mantido em cárcere privado em um apartamento do Condomínio Andorinha, conhecido como “Predinhos”, no bairro Novo Oeste.
Para evitar que os suspeitos percebessem a aproximação da equipe, os policiais seguiram a pé até o imóvel. A porta do apartamento estava entreaberta, permitindo que os militares visualizassem três suspeitos junto à vítima. Diante da situação, foi realizada uma entrada tática.
No interior do apartamento, o homem foi encontrado com os punhos amarrados por cadarços e apresentava lesões no braço esquerdo, compatíveis, conforme a polícia, com as agressões sofridas durante o período em que esteve em poder dos criminosos.
Inicialmente, na presença dos suspeitos, a vítima confirmou a versão apresentada por eles de que todos apenas conversavam sobre desentendimentos anteriores. No entanto, ao ser ouvida separadamente pelos policiais, revelou que estava sendo submetida a um suposto “tribunal do crime” e acreditava que seria executada.
A vítima relatou que foi sequestrada por volta das 7h de sexta-feira, logo após chegar de Água Clara, onde reside, para visitar um amigo no condomínio. Durante o período em que permaneceu em cativeiro, afirmou ter sido levada para diferentes apartamentos, onde sofreu agressões físicas, tortura e constantes ameaças de morte.
Ainda de acordo com o depoimento, os suspeitos mantinham contato telefônico com dois detentos do Presídio de Segurança Média (PSM) de Três Lagoas, conhecidos pelos apelidos de “Palmeirense” e “Las Vegas”. Eles seriam os responsáveis por orientar as decisões durante o chamado “tribunal do crime”. A suposta participação dos presos será investigada pela Polícia Civil.
Durante a ação, os policiais apreenderam uma faca tática com aproximadamente 20 centímetros de lâmina. Também foi constatado que um dos detidos estava foragido do sistema prisional.
Já na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), a vítima informou que, antes de ser levada ao apartamento onde foi encontrada, permaneceu em outro imóvel localizado no Condomínio Tuiuiú. Segundo o relato, no local havia drogas e munições.
Com base nas informações, equipes policiais foram até o endereço e prenderam mais dois suspeitos. Um deles utilizava tornozeleira eletrônica e foi reconhecido pela vítima como um dos responsáveis pelas agressões. O outro foi apontado como o homem que teria utilizado um revólver para ameaçá-la durante o sequestro.
Apesar das denúncias, a arma de fogo, as munições e os entorpecentes mencionados pela vítima não foram localizados pelos policiais.
Ao todo, cinco suspeitos foram presos por suspeita de sequestro e cárcere privado, tortura e participação em organização criminosa. Todos foram encaminhados à delegacia e permanecem à disposição da Justiça.
A Polícia Civil prossegue com as investigações para identificar outros envolvidos e apurar a possível participação dos dois detentos apontados pela vítima como mandantes das ações criminosas.