Prints atribuídos a integrantes de um grupo no Discord levantaram novas suspeitas sobre a morte da adolescente de 13 anos encontrada sem vida em Naviraí, município localizado a 359 quilômetros de Campo Grande. As mensagens, que circulam nas redes sociais, sugerem uma possível manipulação psicológica da vítima e passaram a integrar o contexto investigado pela Polícia Civil.
A adolescente foi encontrada morta na manhã de quarta-feira (22), na varanda da residência onde morava. Ela foi localizada pela mãe e pelo padrasto por volta das 6h. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas apenas constatou o óbito.
Embora a causa e a motivação da morte ainda não tenham sido oficialmente esclarecidas, uma das linhas de investigação apura a possível participação da adolescente em desafios promovidos em grupos virtuais. O caso é conduzido pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Segundo as informações apuradas, a jovem participava de um grupo na plataforma Discord, aplicativo de comunicação que permite troca de mensagens, chamadas de áudio e vídeo e criação de comunidades privadas.
Capturas de tela atribuídas a integrantes desse grupo passaram a circular nas redes sociais após a morte da adolescente. Em uma das mensagens, um dos participantes escreve: “Tropinha, isso é o que acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio”.
O termo “lulz” já havia sido alvo de alerta emitido em março deste ano pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). De acordo com a instituição, grupos que utilizam essa expressão costumam manipular crianças e adolescentes durante transmissões ao vivo, incentivando práticas de automutilação, humilhação, violência psicológica e outros comportamentos de risco para obter entretenimento às custas do sofrimento das vítimas.
Na ocasião, o MPGO orientou pais e responsáveis a acompanharem a rotina digital de crianças e adolescentes e reforçou a importância do diálogo como principal forma de prevenção.
“O diálogo é a melhor ferramenta de proteção. Converse com sua filha ou seu filho sobre os perigos do ambiente digital, mantenha canais de comunicação abertos e fique atento aos sinais. A internet precisa ser um espaço seguro para todas e todos”, destacou o Ministério Público.
A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve induzimento, instigação ou qualquer outro crime praticado por integrantes do grupo virtual.