Cinco homicídios em pouco mais de 48 horas transformaram o fim de semana em um dos mais violentos do ano em Campo Grande. Execuções ligadas à disputa pelo tráfico de drogas, acertos de contas, um assassinato motivado por intolerância após uma colisão de trânsito e um crime brutal ainda sem explicação compõem um cenário que expõe a escalada da violência na Capital.
Entre a noite de sábado (13) e a madrugada desta segunda-feira (15), homens foram mortos a tiros, espancados e esfaqueados em diferentes regiões da cidade. As circunstâncias dos crimes revelam motivações distintas, mas convergem para um mesmo retrato: a banalização da violência e a sensação de insegurança que se espalha pelos bairros.
O primeiro assassinato ocorreu na Arena da Família, no Bairro Alves Pereira. Claudemar Ferreira Alves, de 36 anos, foi executado com um tiro na cabeça enquanto acompanhava a transmissão de uma partida da Copa do Mundo. A investigação aponta que o crime pode estar relacionado à disputa pelo tráfico de drogas e teria sido encomendado por R$ 30 mil.
Horas depois, no Jardim Leblon, Guilherme Soares Gomes Oliveira, conhecido como “Garrafinha”, foi perseguido e morto a tiros em frente a uma conveniência. Mesmo após a vítima cair, o atirador continuou efetuando disparos, em uma ação típica de execução.
Já na madrugada de domingo, uma discussão após uma batida de trânsito terminou em tragédia. Renato Bravo da Cruz, de 40 anos, foi morto com um tiro no rosto depois de colidir com um veículo estacionado em frente a uma conveniência no Bairro Paulo Coelho Machado. O autor fugiu após o disparo, enquanto testemunhas revoltadas depredaram o carro deixado no local.
No Jardim Presidente, Renan Rodrigues Vaz, de 30 anos, foi espancado até a morte dentro da própria casa. Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada de dois homens ao imóvel durante a madrugada. A polícia investiga a motivação do crime, mas familiares relataram que a vítima acumulava desavenças na região.
A sequência sangrenta foi encerrada na madrugada desta segunda-feira com a descoberta do corpo de um homem ainda não identificado em um terreno baldio no Jardim das Macaúbas. A vítima apresentava aproximadamente dez perfurações provocadas por faca. Sem documentos ou objetos pessoais, o homem morreu sem sequer ter a identidade confirmada.
Em menos de três dias, Campo Grande contabilizou cinco mortes violentas. Enquanto a polícia tenta esclarecer cada caso e identificar os responsáveis, os crimes reforçam a preocupação com a violência urbana e deixam um rastro de medo, luto e indignação pela cidade.