O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 eventos adversos associados à aplicação da vacina, incluindo três casos considerados graves, entre eles óbitos que ainda estão sob investigação.
A decisão também afeta Mato Grosso do Sul, que recebeu neste ano 7.878 doses do imunizante destinadas à imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou que a suspensão se restringe à vacina do Butantan e não interfere nas demais estratégias de combate à dengue em andamento no país.
Segundo o Ministério da Saúde, as investigações realizadas até o momento não comprovaram relação direta entre a vacina e os casos graves registrados. Por esse motivo, a orientação é para que as doses não sejam descartadas enquanto os estudos seguem em andamento.
“Isso representa um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, afirmou o ministro ao comentar a decisão.
De acordo com os dados apresentados pela pasta, a taxa de eventos graves registrada foi de aproximadamente oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. Embora o índice seja considerado baixo, o governo federal optou pela suspensão temporária como medida de precaução até a conclusão das análises técnicas.
Ainda conforme o Ministério da Saúde, a interrupção da vacinação busca garantir maior segurança à população e permitir que todas as investigações sejam concluídas antes da retomada da estratégia.
Vacina foi destinada a profissionais da saúde em MS
Em Mato Grosso do Sul, o imunizante começou a ser distribuído em fevereiro deste ano. As 7.878 doses recebidas pelo Estado integravam uma estratégia nacional voltada à imunização de trabalhadores da Atenção Primária à Saúde.
Na ocasião, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a vacina era destinada a pessoas com idade entre 15 e 59 anos, independentemente de histórico prévio de infecção por dengue ou de vacinação anterior com outros imunizantes contra a doença.
A aplicação estava concentrada nos profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), grupo considerado prioritário na fase inicial da estratégia.
O Ministério da Saúde reforçou que a suspensão não afeta a vacinação contra a dengue ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que continua sendo realizada normalmente nos municípios contemplados pela campanha.