Um policial penal de 39 anos está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) após ser denunciado por importunação sexual contra uma jovem de 21 anos, em Campo Grande. O caso, registrado na noite de quinta-feira (5), teria ocorrido após a vítima participar de processos seletivos para uma vaga de emprego no salão de beleza da esposa do servidor.
De acordo com o boletim de ocorrência, o policial atuava como responsável financeiro do estabelecimento e conduzia as entrevistas. A jovem relatou que, após tentativas frustradas de obter um retorno sobre a vaga entre o final de 2025 e janeiro de 2026, entrou em contato com o suspeito. A partir desse momento, o comportamento do homem mudou, passando a enviar mensagens de cunho sexual via WhatsApp, inclusive utilizando um número funcional.
O relato da vítima detalha que o policial, fardado e em horário de expediente, teria realizado uma videochamada praticando atos libidinosos e oferecido dinheiro para que ela se desnisse. Durante a abordagem, o servidor teria questionado valores para um encontro pessoal, pressionando a jovem para que o ato fosse rápido para que ele pudesse retornar ao trabalho.
A vítima procurou a esposa do policial, que informou estar em processo de separação e se dispôs a acompanhá-la até a delegacia. Ao ser confrontado pela ex-mulher, o servidor admitiu o envio das mensagens, mas tentou transferir a responsabilidade para a jovem, alegando que ela teria oferecido a chamada de vídeo. O caso segue sob apuração policial e o servidor, que possui remuneração de R$ 5,8 mil conforme o Portal da Transparência, poderá responder administrativa e criminalmente pela conduta.
Conforme as informações oficiais mais recentes, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) confirmou que já tomou conhecimento do boletim de ocorrência registrado contra o servidor.
A instituição informou que a Corregedoria-Geral instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta do policial penal. Durante o processo de investigação, o servidor poderá ser preventivamente afastado de suas funções para não interferir na coleta de provas.
A Agepen ressaltou, em nota, que não compactua com desvios de conduta e que o uso de uniforme ou equipamentos funcionais para a prática de atos ilícitos agrava a situação administrativa do envolvido. Se as acusações forem comprovadas ao final do processo, ele poderá sofrer sanções que vão desde a suspensão até a demissão do cargo público.
