A primeira ofensiva do ano realizada pelo Gaeco, braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, mira um esquema de corrupção envolvendo fraudes em licitações e desvios de verbas na Câmara Municipal de Terenos. O foco das investigações recai sobre a movimentação de recursos públicos e a articulação de empresas para lesar a administração municipal.
Entre os alvos principais da operação está o empresário Francisco Elivaldo de Souza, o Eli, sócio da fintech BDM Dourado Digital. A empresa integra o ecossistema Dakila, fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, figura conhecida nacionalmente por relatos de contatos extraterrestres e pela criação da cidade de Zigurats, em Corguinho. Embora Urandir não seja alvo direto desta fase da operação, o vínculo societário e a proximidade entre os dois empresários chamam a atenção dos investigadores.
Agentes do Gaeco cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Eli e na sede de outra de suas empresas, o jornal Impacto. No endereço comercial, inclusive, há sinalização indicando futuras instalações de empreendimentos do grupo Dakila, reforçando a conexão entre os negócios. A força-tarefa, que contou com o apoio da Promotoria de Terenos, ainda não detalhou a função específica de Eli no suposto esquema criminoso.
O grupo Dakila, onde a BDM opera com criptomoedas e serviços financeiros, abrange diversas frentes, como a marca 067 Vinhos e projetos relacionados à suposta cidade perdida de Ratanabá. Francisco Elivaldo é presença constante em eventos ao lado de Urandir, o CEO que ganhou fama há décadas com o episódio do ET Bilu. A investigação agora busca entender se a estrutura dessas empresas foi utilizada para facilitar o trânsito de recursos desviados do poder público.