O plenário da Câmara Municipal de Campo Grande foi palco de um desabafo contundente durante a Audiência Pública de Prestação de Contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Representantes das chamadas Mães Atípicas — mulheres que cuidam de crianças e pessoas com deficiência — denunciaram a precariedade no atendimento da rede pública, em contraste com os dados apresentados pela gestão.
Em tom de revolta, uma das mães afirmou sentir-se “plateia de um show coreografado”, ao comparar a apresentação dos números oficiais com a dura realidade enfrentada pelas famílias. Entre as queixas relatadas estão:
Falta de medicamentos, incluindo antidepressivos como fluoxetina e amitriptilina;
Ausência de dietas e fraldas especiais, mesmo com decisões judiciais que obrigam o fornecimento;
Deficiência no atendimento odontológico e em exames simples, como raio-X;
Seis ambulâncias do SAMU paradas, enquanto pacientes aguardam socorro;
Atraso na renovação de contratos e falta de nomeação de um secretário de Saúde.
Uma das mães relatou que há quatro meses não recebe a dieta judicializada do filho e mostrou fraldas de baixa qualidade distribuídas pelo município. “Quem é que compra o material que presta e aceita receber o que não presta? O senhor compraria um carro de luxo e aceitaria receber um carro velho sucateado? Ninguém!”, criticou.
O discurso também denunciou casos graves de negligência: mães que tiveram pernas amputadas, crianças que morreram por falta de atendimento e famílias endividadas para pagar planos de saúde diante do colapso do SUS. “Estão aniquilando a população, estão eliminando as crianças com deficiência”, afirmou emocionada.
A representante ainda criticou parlamentares que, segundo ela, preferem “rasgar seda para a prefeitura” em vez de fiscalizar contratos e licitações. “Honrem o voto que vocês receberam da população”, cobrou.
A fala, de aproximadamente cinco minutos, emocionou parte do público e gerou desconforto entre gestores e vereadores presentes. Para as mães, a audiência não passou de um “show de ilusionismo” que mascara a má gestão dos recursos.
Nota da Redação: O espaço segue aberto para a Secretaria Municipal de Saúde se manifestar sobre as denúncias.