Servidores denunciam taxação injusta e criticam proposta de Adriane Lopes

0

O novo Projeto de Lei encaminhado pela Prefeitura de Campo Grande à Câmara Municipal gerou forte reação entre os servidores administrativos da Educação. A proposta prevê a taxação sobre o valor do “profuncionário”, transformando a gratificação em adicional de função — medida que permitiria a incorporação do benefício à aposentadoria dos trabalhadores.

No entanto, o que deveria representar uma valorização da categoria vem sendo duramente criticado. Servidores apontam que, na prática, a medida é inviável diante da defasagem salarial: a maioria recebe menos que um salário mínimo.

Em documento entregue aos vereadores, os servidores pedem o veto ao projeto, alegando que não se opõem à contribuição previdenciária, mas que ela é injusta no cenário atual, em que o salário base médio é de R$ 950 — valor inferior ao salário mínimo nacional de R$ 1.518. “No fim do documento, anexamos 11 holerites para comprovar a situação calamitosa”, destacou uma das servidoras.

Mesmo parlamentares da base da prefeita Adriane Lopes (PP) demonstraram desconforto. O vereador Professor Juari classificou o projeto como “absurdo” e questionou a pressa na tramitação. “Por que essa pressão toda? É isso que os servidores querem saber”, afirmou. A vereadora Luiza Ribeiro também criticou duramente a proposta.

O presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), Marcos Tabosa, é apontado como o principal articulador da medida. Em áudios que circularam entre os servidores, ele teria chamado os trabalhadores contrários à proposta de “porcarias”, “tranqueiras” e “gente que não vale nada”, além de afirmar que a categoria é “desprovida de inteligência” por defender o reajuste do salário base.

Servidores também denunciam que Tabosa estaria atuando diretamente nas assembleias do Sindicato dos Servidores Municipais (SISEM), mesmo sem ser membro, e acusam o atual presidente da entidade, William de Freitas, de manipular informações ao apresentar a taxação como “investimento”. Há ainda questionamentos sobre a lisura do último processo eleitoral do sindicato e pedidos para que o Ministério Público investigue possíveis irregularidades e conflitos de interesse.

Durante audiência pública realizada no dia 17 de outubro, o tema foi amplamente debatido entre vereadores e servidores. O projeto ainda não foi votado, mas segue em tramitação na Câmara.

Em meio às discussões, servidores reforçam que não são contra contribuir, mas exigem valorização real e respeito à dignidade da categoria. “Queremos um debate honesto. Não dá para pagar a conta hoje apostando que vamos estar vivos daqui a 30 anos”, declarou um dos servidores.

A Prefeitura de Campo Grande, o IMPCG e o SISEM foram procurados para comentar o caso, mas não responderam até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações futuras.

.