Procurado em cinco países, traficante uruguaio que ameaçou guerra na fronteira, viveu como jogador de futebol na Bolívia e no Paraguai.

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Procurado em cinco países por envolvimento com o tráfico internacional de drogas, o uruguaio Sebastián Enrique Marset Cabrera, de 34 anos, voltou a ser destaque mundial após afirmar, em vídeo divulgado nesta semana, que está preparado para uma guerra na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai.

Foragido desde 2021, Marset é apontado como um dos traficantes mais perigosos do mundo, investigado por enviar mais de 30 toneladas de cocaína para a Europa, Bélgica e Paraguai. Apesar disso, ele viveu anos sob uma identidade falsa, chegando a atuar como jogador de futebol em clubes da Bolívia e do Paraguai.

De acordo com investigações, entre 2021 e 2023 o traficante usou documentos falsos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), passando-se por um brasileiro chamado Luis Paulo Amorim Santos, com suposto registro emitido em Pernambuco.

Marset iniciou sua “carreira” no Deportivo Capiatá, time paraguaio que já disputou a Copa Libertadores. Atuando como meia e vestindo a camisa 23, participou de apenas seis jogos antes de desaparecer.

A ligação com o crime começou bem antes. Em 2013, Marset foi preso no Uruguai por tráfico de maconha e, durante o período em que esteve detido, teria feito contato com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Após ser solto, criou o Primeiro Comando do Uruguai (PCU), uma ramificação da facção brasileira.

Posteriormente, ele foi preso em Dubai com passaporte falso do Paraguai, mas acabou liberado. No ano seguinte, já na Bolívia, fundou o Los Leones El Torno FC, clube de futebol da cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde atuava como jogador e empresário. Vídeos do time mostram Marset em campo e promovendo o clube nas redes sociais.

Em 2023, as autoridades bolivianas descobriram o disfarce e cercaram sua mansão, mas o traficante conseguiu escapar. No local, foram apreendidos 17 fuzis, quase 2 mil munições, 31 veículos, coletes à prova de balas e artigos esportivos.

A Bolívia passou então a oferecer uma recompensa de US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil) por informações que levassem à sua captura. Atualmente, Marset é procurado também pelo Brasil, Paraguai, Uruguai, Interpol e pela DEA, agência antidrogas dos Estados Unidos, que elevou a recompensa para US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10 milhões).

No vídeo recente divulgado pelo portal Metrópoles, Marset aparece cercado por homens armados com fuzis e afirma estar pronto para enfrentar “quem for”, citando tanto forças policiais quanto o rival Erlan García López, conhecido como “Colla”, outro nome ligado ao tráfico na região de fronteira.

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