Prefeita de Campo Grande diz que já pagou consórcio e culpa empresa por greve de ônibus, Consórcio reaje

0

Pelo terceiro dia consecutivo, Campo Grande amanheceu sem o serviço de transporte coletivo devido à greve dos motoristas, que cobram o pagamento de salários e benefícios atrasados. Em declaração nesta quarta-feira (17), a prefeita Adriane Lopes afirmou que a administração municipal cumpriu com todas as obrigações financeiras, incluindo pagamentos antecipados, e que a regularização da folha de pagamento dos trabalhadores é responsabilidade exclusiva da empresa concessionária.

A chefe do Executivo municipal reforçou que a prefeitura não faz a gestão direta dos pagamentos dos motoristas e destacou que os repasses contratuais foram realizados rigorosamente ao longo do ano. Segundo a prefeita, o ente público cumpriu seu papel, cabendo agora ao Consórcio Guaicurus resolver o impasse com seus funcionários para restabelecer o serviço à população.

Apesar da pressão, a categoria decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado. A decisão de continuar de braços cruzados ocorre mesmo após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) estipular uma multa diária de R$ 200 mil caso a escala mínima de circulação não seja respeitada. Os trabalhadores ignoram a frota mínima, alegando que não possuem condições financeiras sequer para se deslocarem ao trabalho sem os salários.

O sindicato da categoria (STTCU-CG) sustenta que o retorno imediato às atividades depende da quitação integral do salário de novembro, do 13º salário e do adiantamento previsto para o próximo dia 20. Até o momento, as audiências de conciliação terminaram sem acordo entre as empresas e os trabalhadores, prolongando o caos na mobilidade urbana da Capital.

Consórcio Guaicurus reage à prefeita e diz que repasses não cobrem folha de pagamento

O Consórcio Guaicurus enviou uma nota oficial em resposta direta às declarações da prefeita Adriane Lopes e ao cenário de greve que paralisa Campo Grande. No documento, a empresa concessionária contesta a afirmação de que os repasses municipais são suficientes para cobrir os custos operacionais e a folha de pagamento da categoria.

Segundo a concessionária, embora a prefeitura afirme estar em dia com os repasses contratuais, os valores transferidos não acompanham o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, agravado pela defasagem da tarifa técnica. O consórcio alega que o montante repassado pelo município é destinado a subsídios específicos (como gratuidades), mas que o saldo total arrecadado não é capaz de suprir o aumento dos custos com combustível e a folha salarial dos motoristas.

A empresa informou ainda que tem buscado junto à Justiça e ao Executivo a revisão imediata do contrato para viabilizar o pagamento do 13º salário e dos salários atrasados. O consórcio reiterou que não possui fluxo de caixa para quitar as dívidas com os trabalhadores sem um aporte emergencial ou a correção do valor pago por passageiro.

Enquanto a prefeitura e o consórcio trocam acusações sobre a responsabilidade financeira, o Sindicato dos Trabalhadores (STTCU-CG) permanece irredutível. A categoria afirma que as justificativas da empresa não resolvem a falta de dinheiro no bolso do trabalhador e que a paralisação continuará até que o dinheiro caia na conta.

.