Polícia Federal realiza Operação na casa de Jair Bolsonaro, que passará a usar tornozeleira eletrônica

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Brasília, 18 de julho de 2025 – Na manhã desta sexta-feira (18), a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), localizada no bairro Jardim Botânico, em Brasília, e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL). Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), sob ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro terá que usar tornozeleira eletrônica e cumprir uma série de medidas restritivas.

A operação, autorizada no âmbito da PET nº 14.129, investiga possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de Justiça e ataque à soberania nacional. Entre as restrições impostas, Bolsonaro está proibido de acessar redes sociais, deve cumprir recolhimento domiciliar noturno das 19h às 7h, além de permanecer em casa durante os fins de semana. O ex-presidente também foi impedido de se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros ou outros réus e investigados pelo STF, incluindo seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos articulando ações junto ao governo de Donald Trump.

Além disso, ele está proibido de se aproximar de embaixadas. De acordo com fontes da PF, a operação foi motivada por indícios de que Bolsonaro poderia estar planejando uma fuga terrestre, já que seu passaporte foi apreendido anteriormente pelo STF, impedindo-o de deixar o país por via aérea. Durante a ação, agentes apreenderam 10 mil dólares na residência do ex-presidente, segundo informações obtidas pelo jornal O Globo. Celulares, documentos e um computador também foram recolhidos, conforme relatado pelo deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL. Bolsonaro foi levado à superintendência da PF em Brasília para a instalação da tornozeleira eletrônica. A defesa do ex-presidente, representada pelo advogado Celso Vilardi, afirmou estar surpresa com a decisão e informou que se manifestará após tomar ciência do teor completo da ordem judicial. Até o momento, nem a PF nem o STF divulgaram detalhes adicionais sobre a investigação, que segue sob sigilo.

A operação ocorre em um momento de tensão política, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir, na última segunda-feira (14), a condenação de Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa armada, crimes que podem resultar em penas de até 43 anos de prisão. A PGR aponta Bolsonaro como líder de uma trama golpista para desestabilizar o Estado democrático após as eleições de 2022.Parlamentares de oposição, como os deputados Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Coronel Tadeu (PL-SP), criticaram a operação, classificando-a como “perseguição” e “autoritarismo”.

Por outro lado, deputados da base governista, como Talíria Petrone (PSOL-RJ), celebraram a medida, afirmando que Bolsonaro “está pagando o preço por ser um traidor da pátria e golpista”. A decisão do STF também acontece em meio a tensões internacionais, com o presidente dos EUA, Donald Trump, criticando o julgamento de Bolsonaro e anunciando uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o que eleva o clima de instabilidade política e econômica.

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