Moradores da Avenida Frei Liberato, em Ladário, vivem diariamente com o tráfego ininterrupto de caminhões carregados de minérios. Após protestos e pedidos de solução ao poder público, a comunidade agora aposta na intervenção do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para resolver os transtornos causados pelo ruído e a poeira constantes.
Um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público com o objetivo de buscar um acordo com as empresas do setor mineral para mitigar os problemas que afetam a rotina dos moradores. O trecho em questão é de aproximadamente 2 quilômetros da Estrada da Codrasa, por onde transitam diariamente caminhões basculantes e carretas envolvidas na atividade mineral da região de Corumbá e Ladário.
A extensão dos problemas é visível: fotos mostram a sujeira acumulada no chão e nos móveis das casas, com a poeira marrom chegando a cobrir a cor original das plantas. O promotor Pedro de Oliveira Magalhães convocou todas as empresas envolvidas a se manifestarem no procedimento de investigação.
A dimensão da situação foi confirmada no primeiro semestre por um laudo do Núcleo de Criminalística da Polícia Civil, que apontou a circulação frequente de veículos pesados em toda a via. Técnicos utilizaram até drones para capturar imagens aéreas e avaliar a extensão dos impactos, confirmando que os caminhões que passam o dia todo são os principais responsáveis pela dispersão da poeira.
Medidas paliativas, como molhar a pista com caminhões pipa, conseguem reduzir o pó temporariamente, mas acabam gerando outro transtorno: a lama. O promotor considerou alternativas como o encascalhamento com calcário, abundante na região, mas a ideia foi desaconselhada por uma nota técnica do próprio MPMS. O calcário, embora disponível, gera poeira alcalina, o que poderia agravar os impactos ambientais e à saúde. A solução apontada como ideal é a pavimentação da via.